Os trabalhadores da Segurança vivem o pior momento de sua história no Estado de São Paulo. Nos últimos tempos, em vez de respeitados são eles caçados impiedosamente pelo crime organizado que, agredindo e matando os agentes, enfrentam e subjugam o Estado impotente. É a mais singular crise vivida pelo setor, onde aqueles que são representantes da autoridade estatal são liquidados ou mutilados por servirem a governos fracos e sem compromisso com os mais elementares princípios de autoridade. Agentes penitenciários e policiais são perseguidos, suas famílias subjugadas e o Estado-Patrão nada faz de eficiente para pôr fim a essa inversão de valores. Parece até que esses agentes são “empregados de ninguém”. O Estado, através de seus titulares e dos órgãos responsáveis, precisa garantir um mínimo de segurança para que o policial, o agente penitenciário e todos aqueles que exercem função de representação estatal tenham um pouco de proteção e garantia. A situação de hoje é o resultado de anos e anos de demagogia dos que confundem democracia com fraqueza e que, uma vez investidos na função pública, não assumem suas responsabilidades. Toda a máquina estatal paulista vive acuada e acovardada diante de uma facção criminosa que, de dentro dos presídios, controla os acontecimentos, mata agentes públicos e seus familiares. É o cúmulo da incompetência. Governantes, Judiciário, Igreja e todas as forças sociais regulares devem se unir para evitar que São Paulo e o Brasil continuem vivendo o medo e a caminho da barbárie. Os titulares e líderes dos diferentes poderes precisam demonstrar a que vieram e, principalmente, que são dignos dos postos que ocupam. São Paulo não aguenta mais ver os encarregados de oferecer segurança à população subjugados e reduzidos à posição de reféns do crime organizado que o governo não teve competência para enfrentar. O momento é crítico, de ruptura. Se o Estado não tem sido capaz de aniquilar as facções criminosas que, pelo menos, assuma sua responsabilidade de empregador e não deixe que seus empregados da segurança e do sistema prisional continuem sendo as presas no grande banho de sangue que hoje se presencia. As forças paulistas não podem continuar como meras espectadoras do apocalipse social, da luz que se apaga no fundo do túnel. Precisam reagir à altura e demonstrar que o bem sempre é capaz de vencer o mal. A Sociedade, razão de existência de governos e de instituições, não pode sucumbir! É o mínimo que se pode pedir.
O autor, tenente Dirceu Cardoso Gonçalves, é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo - e-mail: Apomi2@terra.com.br