Polícia

Com medo do PCC, agentes evitam uniforme e passeios

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

A onda de atentados contra agentes penitenciários já mudou a rotina dos funcionários das unidades prisionais em Bauru. Na mira do Primeiro Comando da Capitão (PCC), até a vida social da categoria foi prejudicada pelo medo. Em cinco dias três agentes e um carcereiro foram mortos. No total, foram oito ataques em cidades como São Paulo, Guarulhos, Itapecerica da Serra e Campinas.

“Eles estão evitando ir a bares movimentados. Também foram orientados a não transitar em locais ermos”, comenta Reinaldo Duarte Soriano, vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Oeste Paulista (Sindicop). De acordo com o sindicalista, mais da metade dos 500 agentes que trabalham na cidade abriu mão dos uniformes. Eles têm medo até de circular com a roupa embalada em sacolas.

“Quem pode ir de carro (ao trabalho), evita o ônibus (de transporte coletivo da categoria). O objetivo é não andar em grupo. O alvo é fácil. Como eles viram que a reação foi forte (da Polícia Militar contra a primeira onda de ataques, iniciada dia 12 de maio), se voltaram contra o agente penitenciário, que não tem nem porte de arma”, comenta Soriano.

Soma-se a isso o número reduzido de coletes à prova de bala, disponíveis apenas aos agentes de escoltas e vigilância penitenciária. Normalmente, eles ficam nas torres das penitenciárias, mas na época dos primeiros ataques, parte deles fez plantão na entrada das instituições, a pedido da diretoria.

Na ocasião, os ônibus foram escoltados, mas não em período integral. “O clima está tenso. Temos medo do que possa acontecer com nossa família. Não sabemos se estão nos esperando sair (de casa) para assassinar nossos filhos. Os atentados não vão parar por aí”, avalia.

Paralisação

Em virtude da morte dos companheiros, agentes penitenciários do Centro de Detenção Provisória (CDP) paralisaram a atividade, na quinta-feira passada, por duas horas. Em Bauru, o centro é reduto de presos do PCC, assim como o Instituto Penal Agrícola (IPA). Apesar disso, a paralisação foi desestimulada pelo sindicato.

“Não tinha uma liderança. Também não queremos que uma ação nossa fomente uma crise ainda maior e coloque os funcionários em risco”, informa o vice-presidente do sindicato. A paralisação, no entanto, pode ser decidida na próxima quinta-feira, quando serão realizadas três assembléias simultâneas. Uma em Bauru, outra em Pirajuí e a terceira em Serrana, cidade vizinha a Ribeirão Preto.

Se a maioria da categoria decidir pela mobilização, apenas 30% do quadro de funcionários continuará em operação, conforme manda a legislação. Neste caso, os funcionários manterão apenas a entrega de comida e atendimentos médicos. Outros serviços prestados aos presos como consultas com advogados, saídas para fóruns e banhos de sol, serão suspensos.

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Participação local

A participação de dois homens de Bauru no grupo preso em Panorama e Adamantina sob suspeita de planejar ataques contra vários órgãos públicos e agentes da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau também colaborou para piorar o clima nas instituições presionais da cidade. Um deles teria conseguido liberdade recentemente.

Das nove pessoas presas, sete eram homens e duas mulheres. Foram acusados por formação de quadrilha e porte ilegal de arma restrita ao uso policial e militar. Em poder do grupo foram apreendidos dois fuzis, uma submetralhadora, três granadas e um colete à prova de balas. Também foi apreendida farta munição pesada.

Dos quatro veículos apreendidos, um era de Bauru - Palio branco, placas AHT 3167. Da frota total, dois automóveis seriam utilizados num ataque que teria sido programado para ocorrer após jogo do Brasil, no sábado.

Mas o plano foi descoberto pelo trabalho de inteligência das Seccionais de Bauru, Dracena, Presidente Venceslau, Adamantina, Presidente Prudente, que monitoraram conversas dos suspeitos com detentos do presídio de Presidente Bernardes, apontados como líderes do PCC.

As investigações continuam. A Polícia Civil busca outros possíveis envolvidos na ação, que podem aparecer com o trabalho de degravação das fitas das conversas telefônicas. Por enquanto, foram apontados como de Bauru César Fernando de Oliveira, 26 anos, e Sérgio Arruda Quintiliano Neto, 21 anos. Eles e os outros sete teriam recebido R$ 100 mil para promover o ataque.

Ricardo Santana

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Histórico

DOMINGO, 2/7

• Agente penitenciário sofre atentado contra a vida em Hortolândia, região de Campinas.

DOMINGO, 2/7

• Agente de segurança penitenciário Otacílio do Couto, 40 anos, é assassinado numa rua do bairro Jaçanã, na capital paulista, quando usava um telefone público. Foi abordado por quatro elementos de carro - de onde teriam saído os disparos. Trabalhava no CDP Chácara Belém II.

DOMINGO, 2/7

• Agente penitenciário é alvo de tentativa de homicídio, em Guarulhos, grande São Paulo. Joselito Francisco da Silva é agente do CDP de Guarulhos e seu carro foi atingido por tiros.

SÁBADO, 1/7

• Oito disparos com arma de fogo são desferidos por dois desconhecidos contra um agente penitenciário de Campinas. Ele saía de sua casa quando percebeu que atravessava a rua um homem com capacete, enquanto outro aguardava em uma moto. A vítima fugiu e não sofreu ferimentos, mas está sob ameaça de morte.

SÁBADO, 1/7

• O agente de segurança penitenciária Eduardo Rodrigues, de 41 anos, foi assassinado a tiros por dois criminosos, no bairro Jardim Arpoador, zona Oeste da capital paulista. Trabalhava na Penitenciária Feminina de Santana. O agente levou quatro tiros à queima roupa dentro de uma loja, onde ele havia levado sua TV para consertar.

QUARTA-FEIRA, 28/6

• Em Itapecerica da Serra, o agente penitenciário Nilton Celestino, de 41 anos, foi morto por três homens, na porta de sua casa no Jardim Jacira. Celestino trabalhava há mais de dez anos no CDP de Itapecerica da Serra e era seu dia de folga.

TERÇA-FEIRA, 20/6

• O carcereiro Gilmar Francisco da Silva, de 40 anos, foi executado com sete tiros, na porta de casa em Parada de Taipas, na zona Oeste da capital. Silva trabalhava no CDP do Belém.

Fonte: Sifuspesp

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