Polícia

Ameaças e boatos agravam a situação

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 1 min

Só a morte dos colegas já bastaria para levar apreensão aos agentes penitenciários de Bauru. A tensão, no entanto, é inflada por várias outras intercorrências como ameaças, boatos, prisões de membros do PCC, além da baixa auto-estima da categoria.

“Nós não temos respaldo do Estado e a imprensa sempre nos coloca como vilões. Quem têm acesso a eles (detentos) são parentes de primeiro grau. Você acha que vão admitir que são eles que entram com celular e drogas? Falam que somos nós”, comenta um agente, que pediu para ter o nome preservado.

Por causa do clima, ele deixou de ir ao cinema e interrompeu as atividades de lazer. Também vai tentar obter porte de arma. “Sei que não vai resolver, mas é uma defesa”, comenta. De acordo com o entrevistado, as ameaças diárias feitas por detentos passaram a ser encaradas com maior preocupação, até porque as condições de trabalho estão péssimas - especialmente nas instituições que foram alvo de rebeliões na primeira fase dos ataques do PCC.

Conforme a reportagem apurou, os reparos no CDP de Bauru não foram feitos até hoje, 50 dias após a onda de motins. O raio 8 estaria desativado. A situação teria provocado superlotação às outras celas da instituição, que passaram a acolher 23 presos. Antes, o número médio era de 16 homens. Nem os alarmes de segurança teriam sido restabelecidos.

Simultaneamente, dois agentes da cidade teriam sido agredidos na rua por membros da facção. Por medo, nem boletim de ocorrência registraram. A categoria ainda teria sido informada oficialmente que o PCC faria uma nova onda de ataques a partir do dia 29 de junho, em resposta aos 13 suspeitos mortos pela polícia na segunda-feira passada. Eles eram acusados de planejar atentados contra agentes em São Bernardo e Diadema.

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