São Paulo - Na chegada a São Paulo, o capitão da Seleção Brasileira Cafu ouviu gritos da torcida para que se aposente, causou tumulto entre os jornalistas e comparou o time que disputou o Mundial ao de 1982.
O vôo que trouxe parte da delegação brasileira da Alemanha pousou no Aeroporto Internacional de Guarulhos por volta de 6h de ontem. Até 6h30, apenas três jogadores haviam passado pelo portão do desembarque: Cafu, Cris e Mineiro.
Quando o capitão da Seleção apareceu houve uma grande confusão, mas não por causa da torcida. Os jornalistas, em grande número, invadiram a área restrita para tentar entrevistá-lo e fotografá-lo. Depois do corre-corre inicial, ele foi ouvido e falou sobre a eliminação e sobre a tão comentada renovação.
“Não sou eu quem tem que decidir ou não. Isso fica a cargo da CBF e do próximo treinador. Ele vai ter o direito de renovar ou contar com os jogadores experientes.” Para Cafu, “essa Copa mostrou que os mais experientes podem jogar”.
Essa, no entanto, não parece ser a opinião dos poucos torcedores que foram ao aeroporto receber os jogadores. Enquanto dava entrevista, Cafu ouvia algumas manifestações pejorativas: “Se aposenta”, “idoso” e “velho”.
Cafu tentou defender a Seleção que disputou o Mundial e chegou até a compará-la com a de 1982. “Apesar de não ganhar, essa Seleção ficou marcada positivamente, como a de 82, apesar de que não jogamos tão bonito.”
Sobre o jogo contra a França, Cafu garantiu que não houve falta de vontade por parte dos jogadores. “Não faltou vontade. Perdemos porque não soubemos reagir depois de tomar o gol, não tivemos força. A lição que fica é que nem sempre o melhor vence. Éramos considerados os melhores e daríamos show, mas outras seleções nos surpreenderam”, concluiu.
Cris
O zagueiro Cris afirmou ontem, no desembarque em São Paulo, que considera a pressão pela eliminação normal e que os jogadores têm que pensar nos erros cometidos para que eles não se repitam na próxima Copa.
“Todos tem de pensar no que aconteceu e usar essa experiência para a próxima Copa. A cobrança agora é normal para quem possuía os melhores jogadores do mundo e não ganhou”, disse.
Para Cris, a pressão sobre os jogadores acontece porque culturalmente o torcedor brasileiro não admite derrotas. “No futebol, existe três resultados, e no Brasil a cultura é de ser o melhor, de só vencer. Então, quando se perde a cobrança é muito grande.”
Sobre o jogo contra a França, Cris disse que não tinha como analisar, já que não entrou em campo. No entanto, ele acha que não houve falta de vontade por parte de quem jogou. “É complicado analisar de lá do banco porque você não pode fazer nada. Mas acho que não faltou vontade, foi apenas um dia em que não deu nada certo”, afirmou.
Juninho
Juninho, 31 anos, disse estar decidido a abandonar a Seleção Brasileira após o fracasso na Copa do Mundo-2006 para dar espaço à renovação da equipe. Em sua opinião, outros jogadores experientes deveriam fazer o mesmo.
“A Seleção acabou para mim e aqueles de nós que já têm mais de 30 anos deveriam sair para dar espaço aos jogadores mais jovens para preparar um novo time para 2010”, afirmou o meia do Lyon, em entrevista à BBC. “Temos que pensar nos novos jogadores e montar um novo time”, acrescentou.