Regional

Concurso é questionado em Pederneiras

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Pederneiras - Um cirurgião-dentista que participou de um concurso público realizado em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) acusa a empresa que realizou a prova de, supostamente, ter plagiado as questões das provas de sites na Internet.

O cirurgião-dentista Ronan Jacques Rezende Delgado procurou a reportagem do JC para denunciar as supostas irregularidades que teriam ocorrido durante a realização de concurso público promovido pela Prefeitura de Pederneiras.

O concurso, que vai selecionar candidatos para cargos que exigem nível fundamental, médio e superior, foi realizado pela empresa Ápice Concursos S/C Ltda, de Araçatuba, no dia 11 de junho. A empresa foi a ganhadora da licitação pública realizada pela prefeitura para promover a seleção.

Delgado explica que participou do concurso concorrendo ao cargo de endodontista. No entanto, ele alega ter encontrado, durante a realização do processo seletivo, duas irregularidades que teria comprometido a idoneidade do concurso. De acordo com ele, as questões que compuseram a prova referente ao cargo à qual concorreu encontravam-se disponíveis na Internet antes mesmo da data de realização do concurso e com acesso para qualquer um dos candidatos. Ele também acredita que as questões teriam sido plagiadas de concursos realizados por outras empresas.

“O conteúdo de uma prova de concurso público deve ser original e deve permanecer inacessível a todos os candidatos até o momento de aplicação das provas. Caso contrário, a idoneidade e a lisura do concurso podem ser questionadas”, critica Delgado, ressaltando que possui uma cópia das provas de onde, supostamente, foram retiradas as questões e que, dessa forma, fundamentariam a sua denúncia.

O proprietário da empresa realizadora do concurso, Fabrício Silva de Vasconcelos, rebate as acusações e diz que as questões foram elaboradas pela própria empresa. “O que ele falou não tem fundamento. As questões podem até ser semelhantes porque as matérias não mudam. Então a matéria até pode ser que seja a mesma mas as questões são abordadas de maneira diferente”, explica, ressaltando que sua empresa atua no mercado desde 2002 de forma idônea. “A empresa já realizou uma série de concursos e nunca houve problemas neste sentido”, argumenta.

O cirurgião-dentista informa que entrou com recurso na prefeitura e procurou o Ministério Público de Pederneiras e aguarda resposta para suas denúncias. No entanto, ele não acredita que seu pedido será deferido. “É natural eles indeferirem porque se deferirem estariam confirmando uma situação que foram contratados para fazer um concurso original e não fizeram”, aposta, ressaltando que, caso confirmadas as irregularidades, a prefeitura seria co-responsável por ter sido a contratante da empresa.

“Não fui só eu que entrou com recurso teve mais gente que entrou. A presidente da comissão (do concurso em Pederneiras) requisitou junto à empresa que fez o concurso uma cópia dessa prova. A empresa se negou a dar a cópia”, lamentou Delgado. Vasconcelos explica que o edital do concurso deixa claro que a prova não seria entregue ao candidato e que, dessa forma, quem se sentisse prejudicado tinha o direito de recorrer.

Em parecer emitido pela Prefeitura de Pederneiras a um pedido formulado por outro candidato participante do mesmo concurso, o procurador do município opinou que “não se exige o ineditismo das questões, sendo perfeitamente aceitável que algumas delas já tivessem ‘caído’ em outros concursos, especialmente se se levar em conta que ocorreram em outros Estados da Federação, feitos por entidades completamente distintas do município”.

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