Tribuna do Leitor

Respeito aos animais


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Embora haja pessoas preocupadas com o bem-estar dos animais, será que todos pensam assim? Cachorros de pequeno porte geralmente recebem um melhor tratamento do que os maiores e os “de guarda”. Estes coitados dependem do caráter do dono. Salvo exceções, não convivem com os de sua espécie, nem com os humanos, são acorrentados ou mantidos em pequenos canis. Isolados ou presos durante o dia, à noite são soltos para cuidarem do “patrimônio” dos donos. Muitos são vítimas de diversas maldades: péssima alimentação, isolamento, falta de exercícios e passeios, precários cuidados de higiene e saúde, orelhas decepadas, agressões, adestramentos abusivos e cruéis, e ainda, por incrível que pareça, alguns são criados para caça e briga.

Para coibir estes atos, órgãos públicos, entidades e escolas deveriam promover campanhas educativas especialmente direcionadas a jovens, crianças e donos de animais, com o objetivo de desenvolverem sentimentos de compaixão e respeito aos bichos, além dos cuidados básicos e de praxe. Não acorrentar ou manter o cachorro preso. Não isolá-lo nem deixá-lo o dia inteiro em lugares pequenos e insalubres. Não cortar orelhas e caudas dos cães, nem as garras dos gatos. A Lei dos Crimes Ambientais (nº 9.605) proíbe a mutilação para fins estéticos, mas proprietários e veterinários insistem em descumpri-la, porque sabem que nossas leis pouco funcionam na prática e que dificilmente serão punidos.

Passeios regulares e sociabilização. Animal criado solto e sem privações, tratado com calma e carinho, não fica agressivo e nem ataca pessoas. A violência está no dono e na forma de criação. “Nunca vejo um cão preso sem sentir íntima compaixão por ele e profunda indignação por seu dono”, palavras do filósofo A. Schopenhauer. Fiscalizar, regulamentar e limitar o comércio da venda de filhotes dos chamados pet-shops e dos criadores de animais. Todo o sistema é cruel, desde a criação à manutenção dos mesmos em gaiolas. Os filhotes são afastados precocemente da mãe, vendidos a qualquer um e as fêmeas são máquinas de procriação. Infelizes e impotentes, vêem suas crias serem-lhes tiradas, uma a uma. Esta indústria rentável é uma das responsáveis pela proliferação de animais numa comunidade.

No caso da leishmaniose, as verdadeiras causas é que devem ser combatidas, punindo-se os culpados pelo acúmulo de despejo de lixo na cidade, e também os responsáveis por atos de crueldade para com os animais, como o descaso e abandono. Os animais são os únicos que não têm culpa de nada! Os bichos dependem de nós, somos responsáveis por eles porque lhes tiramos a chance e o direito de viverem em seu ambiente natural, de conviverem com seu bando, de conseguirem sua própria comida. Nada mais lhes resta, a não ser a sorte de conseguirem um bom dono.

Fátima Schroeder - RG 16.981.716 - ONG Naturae Vitae

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