São Paulo - O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse que, se eleito, vai controlar todas as emendas ao Orçamento da União apresentadas por parlamentares. Ele criticou o governo devido ao escândalo da compra superfaturada de ambulâncias revelada na Operação Sanguessuga, da Polícia Federal (PF). “Eu pretendo exercer um controle sobre todas as emendas: custo, destino e avaliação. Não sou contra emenda parlamentar. Agora, precisa ter um controle”, afirmou.
Alckmin fez críticas diretas ao papel da Controladoria Geral da União (CGU), órgão responsável pela fiscalização do governo federal. “Você precisa ter instrumentos não só para apurar o que aconteceu, mas para prevenir”, disse o candidato, ao citar como exemplo o processo de pregão eletrônico utilizado pelo governo paulista. “Se a CGU fosse eficiente não estaria acontecendo o que está acontecendo hoje”, afirmou ele, numa referência ao escândalo dos sanguessugas.
Farra
Políticos do PSDB e do PFL reunidos ontem na Capital paulista não pouparam críticas ao que chamaram de “farra” dos gastos públicos supostamente feita pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. Alckmin, criticou os reajustes dos servidores públicos concedidos pelo governo com uma medida feita em função das eleições. “Nós damos reajuste em 2004, demos em 2005, mas não damos agora, em véspera de eleição. É uma política atrasada. Age em torno do poder, age em torno da questão eleitoral”, afirmou, em uma referência a sua gestão no governo de São Paulo.
“Nas prefeituras, não (têm farra com o dinheiro público), Tem é no governo federal. A Lei da Responsabilidade Fiscal estabeleceu critérios para os municípios e para os Estados. Qual é o critério para a União? Não existe?”, disse ele, e afirmou que a lei que regulamenta os gastos federais “até hoje não foi regulamentada”. “A falha está primeiro nos gastos que nós estamos assistindo nos últimos meses. Por que fazer as coisas em véspera de eleição? Aumento para o funcionário deveria ter sido dado ano passado. Vai dar aumento só porque têm eleição?”, questionou.
O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), também insistiu no tema, ao lembrar da representação apresentada por seu partido para que o governo apresente os gastos com publicidade dos últimos três anos. “Houve um exagero enorme na questão da publicidade. O país todo vai se surpreender com o volume de publicidade desnecessária, que poderia ter ido para os programas sociais”, disse o senador.