Nacional

Novo ministro quer priorizar agroenergia

Por Eduardo Scolese e Pedro Dias Leite | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Empossado ontem na vaga deixada por Roberto Rodrigues, o ministro Luís Carlos Guedes Pinto (Agricultura) afirmou que, em sua gestão, irá priorizar a agroenergia e a defesa sanitária animal e vegetal. Por conta de suas antigas ligações com movimentos de sem-terra, Guedes buscou tranqüilizar os produtores rurais, afirmando que sua gestão será dedicada ao “diálogo’’ com todas as entidades do setor produtivo do País. A solenidade de posse de Guedes ocorreu no Palácio do Planalto.

Na semana passada, o então secretário-executivo da pasta foi indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o pedido de demissão de Rodrigues, que alegou ao presidente ter cumprido sua “missão” no ministério. Rodrigues, nos bastidores, sentiu-se enfraquecido ao não ter conseguido uma ampla renegociação das dívidas do setor.

A cerimônia de ontem foi concorrida, com cerca de 500 pessoas, entre ministros, parlamentares, fazendeiros e funcionários do ministério, superlotando um dos salões de evento do Planalto. A Lula, sobre agroenergia, o novo ministro afirmou que buscará “consolidar a implantação do centro nacional de agroenergia recém-criado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)”. Ele, porém, disse que “é preciso aperfeiçoar os mecanismos de integração das diversas instituições públicas e privadas envolvidas neste programa”.

Entre os presentes no evento, no Planalto, estavam líderes de entidades ruralistas, como João de Almeida Sampaio Filho (Sociedade Rural Brasileira) e Antônio Ernesto de Salvo (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Diante deles, o novo ministro da Agricultura falou em “diálogo” e “portas abertas”. “Nossas portas estarão sempre abertas a todos. O diálogo franco e leal é tônica da qual não abriremos mão. Estou seguro de que, quando não há pré-juízos e preconceitos e se busca o interesse nacional, sempre é possível encontrar a melhor solução para os destinos do país.”

Em sua fala, a seguir, Lula pediu a “compreensão” das entidades ruralistas com o novo titular da Agricultura e elogiou Rodrigues. “Da parte do presidente da República você deixou mais do que um amigo, um irmão. Mesmo não sendo ministro, vou continuar abusando dos seus conhecimentos”, afirmou o presidente.

“O Brasil haverá de reconhecer que, muitas vezes, houve injustiça com você’’, disse ao ex-auxiliar. Rodrigues fez um balanço da gestão, iniciada em janeiro de 2003. Citou os problemas da aftosa, das secas e da ameaça da gripe aviária e afirmou que realizou o “possível para engrandecer” o governo. “Continuo seu amigo e admirador”, disse a Lula, em discurso no qual embargou a voz algumas vezes.

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Fama de técnico competente

Brasília - O novo ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, 64 anos, tem um perfil parecido ao de seu antecessor no cargo, Roberto Rodrigues, de quem é amigo há 45 anos: um técnico com a reputação, dentro do governo, de ser competente. Apesar do bom trânsito no setor, seu maior desafio será melhorar a relação do governo com os produtores rurais, que reclamam do aumento de custos e da perda da renda nos últimos anos.

Defensor da reforma agrária, Guedes tem um passado de militância social e presidiu a Associação Brasileira de Reforma Agrária. As entidades patronais rurais têm receio da proximidade de Guedes com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ao formalizar o convite na última sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou de Guedes a ampliação do diálogo com todos os setores da agricultura nacional. O temor do presidente é que a antiga ligação do ministro com os movimentos sociais do campo piore a relação já conflitante do governo com o setor patronal da agricultura.

Na Companhia Nacional de Abastecimento, que presidiu antes de se tornar secretário-executivo do Ministério da Agricultura, há um ano e meio, ele irritou a Casa Civil por aprovar norma que exigia que técnicos ocupassem cargos de superintendente nos Estados, impedindo nomeações políticas.

A sua chegada ao ministério foi criticada por líderes rurais como o presidente nacional da União Democrática Ruralista, Luiz Antonio Nabhan Garcia. Para ele, “foi um erro escolher um homem que, embora técnico, tenha fortes ligações com o MST”.

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