O deputado federal Dimas Ramalho e o deputado estadual Arnaldo Jardim, ambos do PPS, não são de Bauru, mas protagonizam uma disputa que envolve dois grupos do partido na cidade. Ramalho tenta a reeleição e conta com o apoio do grupo liderado pelo ex-presidente do PPS de Bauru, Rubens “Rubão” de Souza, enquanto Jardim busca uma vaga na Câmara dos Deputados com o apoio do grupo do ex-vereador Zito Garcia.
A situação do diretório municipal do partido é curiosa, já que não há um presidente eleito pelos militantes, ou interventor designado pela direção estadual. Ou seja, o PPS de Bauru é hoje um partido sem comando, apesar de os ex-dirigentes afirmarem que há uma certa “Coordenadoria Política”, que cuidaria das atividades do partido.
Por outro lado, o ex-vereador Zito Garcia, o estudante Reginaldo Dias e o arquiteto César Scudeller afirmam que o grupo de Rubão não tem legitimidade para comandar o partido, já que o mandato dos ex-dirigentes de Bauru expirou e não foram realizadas novas eleições.
A divisão na sigla não tinha ficado tão exposta até que o grupo de Rubão decidiu protocolar uma representação no Ministério Público Eleitoral contra a coligação que ajudou a eleger o prefeito Tuga Angerami (sem partido), sobre um suposto caixa dois.
De acordo com Dias, os filiados não foram consultados a respeito da representação, o que contraria o estatuto da legenda. Na ocasião, o estudante fez uma série de questionamentos sobre a representatividade de Rubens de Souza e seus aliados.
Em entrevista ao JC na semana passada, Dias já havia destacado que os grupos estão com “metas de apoio diferentes”, refletindo claramente as opções de cada lado: Dimas Ramalho e Arnaldo Jardim. Vale lembrar que, durante muito tempo, Rubão esteve alinhado com Jardim, e apenas recentemente depositou suas fichas em Dimas Ramalho, que, aliás, é secretário geral do partido.
Para Reginaldo Dias, a recente aproximação entre Ramalho e Rubão tem dois lados significativos. Um seria a manutenção do grupo liderado pelo ex-presidente no comando do partido na cidade, em troca do apoio do PPS de Bauru à reeleição do deputado federal. “Ele está trabalhando para o Dimas Ramalho, que vai dobrar com o Nilson Costa nas eleições”, disse.
Outro fato que deixou o “racha” do PPS ainda mais exposto foi a viagem de Deoclécio Alves de Souza a São Paulo, para se encontrar com Ramalho. Em nota enviada à imprensa, a “Coordenadoria Política” da sigla afirma que Deoclécio foi convocado para discutir assuntos referentes à campanha eleitoral, o que foi questionado por Reginaldo Dias.
Segundo ele, a reunião foi convocada pelo deputado federal e candidato à reeleição Dimas Ramalho, para cuidar de assuntos referentes à sua campanha em Bauru. “Não houve nenhuma convocação para o partido, mas sim para o grupo que apoia o deputado”, disse.
Do outro lado da moeda, o grupo de Reginaldo Dias também trabalha para a eleição de Arnaldo Jardim, hoje deputado estadual, que disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados.
A ligação deste “grupo de oposição” do PPS de Bauru com Jardim é explícita, já que um dos integrantes deste grupo trabalha diretamente com o deputado estadual, o que transforma a disputa pelo diretório municipal em uma disputa de cunho eleitoral, envolvendo dois “caciques” estaduais do partido, que indiretamente brigam pelo comando de Bauru.
O próprio Reginaldo Dias confirma que há essa ligação, mas evita colocar os deputados em situação de embate direto. “Há uma situação em que uma dissidência apoia determinado deputado e outra apoia também um nome de fora”, disse, afirmando que seu grupo partidário do deputado Arnaldo Jardim.
Para o comandante do partido até agora, Rubens de Souza, a discussão sobre composição interna local não é a mais importante agora. “Acho esta discussão sobre comando sem propósito neste momento, porque temos o desafio da eleição para buscar superar a cláusula de barreira. Agora é ano de voto e a campanha já está nas ruas desde já. Os candidatos estão postos e cada grupo apoia o seu naturalmente. Em 2007 é que se discute a composição da legenda em Bauru”, diz Souza.