Cultura

Movimento e Percussão

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

Misture as batidas de tambores, bateria, latas e sintetizadores virtuais e o resultado é o ritmo brasileiro produzido pelo grupo Batucajé. Formado pelo encontro de três gerações de percussionistas, os músicos apresentam o fruto do trabalho de quatro anos nesta noite no Serviço Social do Comércio (Sesc).

Com pesquisa e vivência na música tradicional brasileira, Batucajé une o coco, o maracatu, o xaxado e o embolado às sonoridades da música eletrônica, decodificadas em tambores, sintetizadores virtuais, loops humanos, timbres e texturas sonoras estimulantes e linhas de baixo climáticas. “É um trabalho contemporâneo, onde cada integrante traz sua vivência musical para a produção de novas experiências rítmicas”, conta a percussionista Simone Soul.

A diversidade sonora é entendida pela própria formação do grupo. Composto pelo consagrado percussionista Robertinho Silva (que tocou por mais de 20 anos ao lado de Milton Nascimento); Simone Soul (ex-percussionista de Zeca Baleiro e Chico César e atual integrante dos Mutantes); Jadna Zimmermmann (percussionista de Zélia Duncan) e Alfredo Bello (baixista e DJ), Batucajé é o encontro de influências e possibilidades musicais.

“O Robertinho é uma influência para mim, assim como sou para a Jadna. O que nos aproximou foi a afinidade musical e a vontade de desenvolver um projeto inédito, com os ritmos brasileiros executados por meio de vários sets de percussão”, diz Simone.

E assim surgiu o Batucajé em 2002, que significa “todo Bailado de cunho religioso dos negros”. A distância entre os integrantes pode ter alongado o projeto, mas a sintonia e a experiência dos músicos garantiram a beleza da execução dos ritmos. “Eu e o Alfredo moramos em São Paulo e o Robertinho e a Jadna no Rio. Todos temos projetos paralelos, mas a vontade de fazer algo novo superou as distâncias”, afirma a percussionista.

O show em Bauru marca o lançamento do primeiro CD do grupo “Percussão Experimental Brasileira”, gravado em estúdio caseiro e divulgado neste ano pelo selo independe “Mundo Melhor”. São 13 faixas, sendo que duas são releituras de músicas de domínio público e as restantes autorais. “O CD é um trabalho instrumental, com espaço também para a voz”, coloca Simone.

Para a apresentação de hoje, o público poderá ter uma surpresa: a participação da cantora Aleuda, que marcou o cenário musical brasileiro na década de 70, dividindo os palcos com nomes de peso, como Hermeto Pascoal. “Ela foi convidada e há grandes chances de estar conosco no show”, afirma a percussionista.

Serviço Grupo musical Batucajé se apresenta hoje, às 21h, no auditório do Sesc (avenida Aureliano Cardia, 6-71). Ingressos: R$ 6,00 e R$ 3,00 (matriculados, estudantes com comprovante, professores da rede pública e maiores de 60 anos) e R$ 2,00 (trabalhador do comércio e serviços e dependentes). Mais informações: (14) 3235-1751.

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