Política

Tuga e Purini encaram os vereadores

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

A Câmara Municipal de Bauru realiza hoje, a partir das 14h, audiência pública para que o prefeito Tuga Angerami e o vice Renato Purini falem sobre as denúncias reveladas pelo JC de suposto caixa dois na campanha eleitoral de 2004, quando a empreiteira Marquise teria doado até R$ 400 mil, não contabilizados, à campanha da chapa Tuga-Purini. A expectativa dos vereadores é que desta vez os dois dêem mais detalhes sobre o encontro realizado em São Paulo com representantes da empreiteira e que a memória de Purini volte para que ele explique melhor as ligações com a empreiteira Marquise.

O prefeito e o ex-presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) estiveram dia 28 no Ministério Público e confirmaram o contato com a empreiteira Marquise, mas enquanto Tuga se colocou como mero espectador no encontro, Purini disse que não se lembrava do teor da conversa com os representantes da empresa. Na ocasião, os dois prestaram depoimento em horários diferentes, mas na audiência, eles estarão frente a frente. Por isso, os parlamentares acreditam que deve haver diferença no comportamento do vice-prefeito.

Outro fator que não deve mudar a disposição dos vereadores em obter respostas claras é a saída de Purini da presidência da Emdurb. De acordo com eles, a demissão do vice-prefeito não altera o fato de que houve uma denúncia e ela precisa ser esclarecida para a opinião pública. Para o vereador Primo Mangialardo (PV), a motivação continua a mesma porque o assunto não esfriou com a demissão de Purini. “Pelo contrário. A população vai querer saber o que aconteceu realmente”, frisou.

Outro vereador que não vê alterações no andamento da audiência com a demissão de Purini é Marcelo Borges (PSDB). “A saída do Purini foi normal porque a permanência dele estava insustentável. O que precisa é o prefeito e o vice esclarecerem sobre essas denúncias de caixa dois”, destacou o tucano.

Paulo Madureira (PP) também alertou para a necessidade de uma explicação plausível de Angerami e Purini, independente do fato de o vice-prefeito ter deixado a presidência da Emdurb. “Nós queremos uma explicação, então ele (Purini) ter deixado a Emdurb não muda nada”, frisou.

Já o vereador João Parreira (PSDB) acredita que a demissão de Renato Purini influencia diretamente na audiência de hoje, pois, caso contrário, a situação dele e do prefeito Tuga Angerami seria mais delicada. Parreira lembra que alguns vereadores cogitaram que o prefeito não aceitaria a demissão de Purini porque “teria o rabo preso”. “Essa audiência será muito importante para o prefeito esclarecer publicamente qual o grau de comprometimento, ou não, dele com o caso, mas a saída do Purini já trouxe uma certa calmaria com relação ao fato”, disse.

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Como será a audiência pública

Ao contrário do depoimento ao MP, na audiência pública o prefeito e o vice ficarão frente a frente e terão que responder aos questionamentos dos vereadores e da população presente à audiência.

De acordo com o presidente da Câmara, Toninho Garmes (PSDB), a resolução que trata das audiências públicas prevê que os convocados façam suas declarações pelo tempo que acharem necessário. Depois disso é a vez dos vereadores formularem questões ao prefeito ou ao vice, ou a ambos.

Após as perguntas dos vereadores, as pessoas presentes formulam suas perguntas, por escrito, e entregam ao secretário designado para a audiência. Esgotadas as questões dos presentes, os vereadores podem fazer novas perguntas, se assim o desejarem.

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Entenda o caso

• O JC apura divergência do vice-prefeito, Renato Purini, com Tuga Angerami em relação à necessidade de terceirização da coleta de lixo.

• No dia 9 de junho, o JC revela que uma suposta doação à campanha de Tuga-Purini teria relação com a terceirização do lixo.

• O ex-diretor de Limpeza Pública Jorge Monteiro, tenta desmentir a existência de caixa 2 depois de ter revelado informações ao JC e à Promotoria.

• O vice-prefeito, Renato Purini, confirma ao JC encontro com representante da Marquise, em São Paulo.

• Tuga e Purini depõem ao Ministério Público e confirmam reunião, mas não dão nomes e negam ter conhecimento sobre caixa 2.

• A Câmara Municipal marca audiência pública para ouvir o prefeito e vice sobre o assunto.

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