Polícia

Agentes propõem paralisação de 24 horas após cada atentado

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Hoje à noite, funcionários de presídios de Bauru e região vão se reunir na sede do Sindicato dos Trabalhadores do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindcop) para aprovar ou não a proposta de paralisação por 24 horas após cada atentado contra integrantes da categoria. Desde sexta-feira passada, cinco agentes penitenciários foram mortos no Estado de São Paulo em ações atribuídas a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Se a categoria decidir pela mobilização, apenas 30% do quadro de funcionários continuará em operação, conforme manda a legislação. Neste caso, os funcionários não permitiriam a entrada de advogados, parentes e a entrega de comida aos presos. Também seriam suspensos banhos de sol e saídas para audiências.

Em Bauru e região, até o final da tarde de ontem, não havia notícia de ameaça ou ataque a funcionário de presídio - são 1.700 filiados ao Sindcop. No entanto, a categoria está alerta e já mudou a rotina, como evitar usar o uniforme e ônibus oferecido pelo presídio.

O JC consultou agentes das penitenciárias 1 e 2 e do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru ontem. Os três funcionários contatados disseram que, apesar dos ataques com morte na Capital e Grande São Paulo, o clima era de relativa tranqüilidade em Bauru. Reinaldo Duarte Soriano, vice-presidente do Sindcop, disse que a morte de mais um agente penitenciário, ocorrida no final da tarde de ontem na Grande São Paulo (leia mais na página 29), aumenta a preocupação também no Interior do Estado.

Ele ressalta que, pela primeira vez, os três sindicatos de funcionários do sistema prisional do Estado de São Paulo estão agindo de forma padronizada. “Pela primeira vez em 16 anos de história, os três sindicatos estão unidos”, disse Soriano. Além do Sindcop, cuja sede é em Bauru, no Estado atuam o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado de São Paulo (Sindasp), com sede em Presidente Prudente, e o Sindicato Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), com sede em São Paulo.

Em reunião anteontem em São Paulo, diretores das três entidades decidiram propor ações padronizadas em relação a ataques do PCC. “Vamos decidir se vamos fazer paralisações em protesto aos ataques do PCC e também ao Estado, que é quem tem de nos proteger”, disse. A categoria também reivindica direito a portar arma, melhorias das condições de trabalho, contratação de mais funcionários, reajuste salarial e adicional - a maioria recebe salário de R$ 1.200 por mês.

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