Bairros

CEF promete trocar sistema operacional de lotéricas até agosto

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

As lotéricas de Bauru têm vivido panes freqüentes no sistema, principalmente em dias de sorteio da Mega-Sena. Em resposta, a Caixa Econômica Federal (CEF) promete que até 12 de agosto o novo sistema tecnológico para a operação das loterias e serviços financeiros estejam instalados e funcionando adequadamente em todo o País.

Nesta data, termina o contrato com a atual fornecedora do sistema de loterias, a Getec Engenharia. Até lá, os aparelhos antigos serão substituídos por novos, que prometem mais rapidez nos atendimentos.

Depois do dia 12, a CEF não vai mais utilizar as máquinas antigas, da Getec. O banco já havia estipulado, anteriormente, que até meados de maio o sistema já tivesse sido implantado, mas prorrogou a promessa por mais 90 dias. Em todo o País, são cerca de 9 mil lotéricas.

Proprietários de lotéricas da cidade não acreditam, no entanto, que os problemas sejam resolvidos até lá. Justificam que as panes são freqüentes e acontecem principalmente nos primeiros dias do mês, quando o volume de transações aumenta. Aos sábados e quartas-feiras - dias de sorteio da Mega-Sena - as falhas no sistema também são mais comuns.

“No momento em que mais precisamos do sistema, ele falha”, diz o proprietário de uma lotérica no Centro, Renato Patané. “Agora, tem que rezar para que o sistema se acerte porque o investimento foi grande”, diz.

Na época em que o sistema foi implantado, em fevereiro, o banco enviou uma nota oficial à reportagem afirmando que com o novo modelo, os aparelhos teriam funcionamento mais rápido e moderno. A estimativa era de que a economia média de tempo seria de quatro segundos por operação nos terminais das casas lotéricas. Mas, na prática, não foi o que aconteceu. “Hoje (ontem) o sistema ficou praticamente parado por horas. O problema aconteceu novamente na segunda-feira, quando ficou três horas fora do ar”, conta a proprietária de uma lotérica na Vila Falcão, Kelly Cristina de Lima Castro.

Ela acredita que as panes freqüentes tenham “afugentado” os clientes. “As filas não estão mais tão grandes porque as pessoas desistem de fazer apostas. Aos sábados, dias de maior movimento, percebemos que os apostadores estão diminuindo”, diz.

Outra proprietária de lotérica, no Parque Vista Alegre, estima que as apostas diminuíram em 80% nos últimos meses. “Diminuiu a quantidade de clientes porque o sistema vai e volta o tempo todo. Não temos previsão de quando vai funcionar direito”, diz Luciane Marins Calleone Zanoni. Ontem de manhã, por exemplo, o sistema estava lento.

Para contornar a situação, o Sindicato dos Comissários e Consignatários, Casas Lotéricas e Revendedores e Afins do Estado de São Paulo (Sincoesp), que abrange as lotéricas de Bauru, procurou auxílio na Justiça. Ganhou o direito de manter um terminal da antiga empresa instalado. A decisão foi proferida pela juíza substituta da 9º Vara da Justiça Federal de São Paulo, Lin Pen Jeng. Em seguida, a Caixa conseguiu derrubar a liminar, mas posteriormente, através de agravo de instrumento, o sindicato manteve a decisão.

Mas, para a diretora do Sincoesp, a decisão da Justiça não vem sendo cumprida na prática. “O sistema das máquinas antigas foi desligado e não está funcionando. Além disso, na maior parte das lotéricas, as máquinas antigas já haviam sido recolhidas”, aponta.

O gerente regional da CEF Olair Ribeiro Filho confirma que as máquinas antigas haviam sido recolhidas. Sobre o sistema novo, ele afirma que existe “equipes de tecnologia que trabalham na solução dos problemas”.

Sobre as falhas no sistema nos primeiros dias de cada mês, ele confirma a informação dos lotéricos. “As falhas no sistema são mais freqüentes devido ao grande volume de transações, como o pagamento de aposentadoria e outros serviços sociais”, diz.

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