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Bauru aprova 11% no exame da OAB, índice superior à média de SP

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Após vencer o desafio do vestibular, o estudante de direito enfrenta no mínimo cinco anos de estudo. Mas depois de comemorar a formatura, muitos têm de voltar para os livros. Cada vez mais exigente, o exame para ingresso na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) obriga muitos bacharéis a procurar os cursinhos preparatórios específicos para o teste. No último exame, dos 22.207 inscritos no Estado de São Paulo, apenas 9,79% passaram. A região de Bauru ficou acima da média estadual, com um índice de aprovação de 11%, a maioria só depois de se preparar nos cursinhos.

O exame de ordem nº 129 realizado em maio, apresentou um dos mais baixos índices de aprovação da história. Do total de bacharéis, foram habilitados 2.873 para a segunda fase - e também fizeram a prova 1.175 candidatos de releitura do exame 128. Foram aprovados ao final 4.048 candidatos e reprovados 18.922. Na região de Bauru, 841 bacharéis prestaram a primeira fase. Desses, 168 foram habilitados para a segunda fase e 93 foram aprovados para ingressar na Ordem.

“Esse índice é alarmante”, diz Edson Reis, presidente da subsecção Bauru da OAB, sobre o nível de reprovação em São Paulo. Para ele, a região de Bauru se manteve com um índice superior devido à qualidade das faculdades. “O ensino na região tem se mantido com o nível muito bom”, aponta. Apesar disso, ele ressalta que o número de novas faculdades é preocupante. “A Ordem é contra esse aumento de cursos. Mas quem dá a licença de funcionamento é o Ministério da Educação”, lamenta.

Agostinho Guerra, diretor de um cursinho preparatório em Bauru, analisa que a diferença entre os níveis de preparação de cada candidato é muito grande. “O vestibular não é mais empecilho para ingressar numa faculdade. Essa diferença de nível entre os alunos vem lá de trás. A faculdade não é totalmente culpada, o problema vem de antes e acaba estourando no exame da OAB”, observa.

Para Guerra, normalmente o bacharel que procura o cursinho está em busca de direcionamento. “Às vezes a pessoa não se lembra do que aprendeu nos primeiros anos do curso”, conta. Ele avalia que o exame é um entrave na carreira do recém-formado. “Nós temos uma preocupação em dar o suporte necessário para essa fase, que é o primeiro empecilho que o aluno enfrenta na sua carreira. Porque é só depois de aprovado que ele vai planejar o seu futuro”, diz.

“Graças a Deus, é mais uma etapa realizada. Agora sou um advogado”, comemora Thiago Parreira, 23 anos. Durante o último ano de faculdade, ele resolveu freqüentar o cursinho preparatório. Ele já havia prestado o exame antes de se formar, como treineiro. “Foi bom fazer (o cursinho) pelas atualizações legislativas, para direcionamento do que o exame está pedindo. O direito é muito amplo e o cursinho é bom para focar”, avalia, lembrando que a prova foi bem difícil. Aprovado, o rapaz conta que vai comemorar. “Agora que eu vou começar a fazer meus planos. Antes, vou curtir a aprovação”, diz.

Fabiana Aparecida Menegazzo Cordeiro, 23 anos, foi aprovada na segunda tentativa. “Na primeira vez que prestei, não cheguei nem na segunda fase”, lembra. Ela resolveu freqüentar o cursinho preparatório e foi aprovada no exame 129 da Ordem. “A questão de fazer a prova é complicada para os recém-formados. Mas pelo número de faculdades, é necessário”. Apesar da aprovação, ela garante que não vai abandonar os livros. “Vou continuar estudando para prestar concursos”, planeja.

Cursando o último ano da faculdade, um universitário que preferiu não se identificar, conta que está na expectativa pela realização do exame. “Ele assusta pelo alto índice de reprovação. Mas, por outro lado, melhora o mercado de trabalho”, avalia.

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Crescimento

Existem atualmente 959 cursos de direito no País e 213 no Estado de São Paulo. Em 1991, o Estado tinha 40 faculdades, e em 2001, saltou para 108 cursos. O presidente da OAB Bauru, Edson Reis, alerta para o que chama de “estelionato educacional”. “São Paulo tem apenas duas faculdades públicas de direito. Em média, gasta-se R$ 65 mil para formar um advogado”, calcula.

“O exame tem que ser rigoroso para que as faculdades melhorem sua qualidade. Os advogados aprovados no exame são altamente gabaritados”. O Exame de Ordem 126, de maio do ano passado, continua apresentando o pior resultado da história do Exame, tendo aprovado apenas 7,16% dos bacharéis, seguido pelo Exame 124, de setembro de 2004, com 8,57% de aprovados.

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