Para cada agente penitenciário assassinado no Estado, funcionários das unidades prisionais vão parar durante 24h. A decisão foi tomada ontem à noite, durante reunião extraordinária realizada na sede do Sindicato dos Trabalhadores do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindcop), que contou com aproximadamente 30 agentes. Os outros dois sindicatos que representam a categoria em São Paulo já tinham concordado com a paralisação. “Padronizamos nossas atitudes”, explica Reinaldo Duarte Soriano, vice-presidente do Sindcop, que possui 1.700 filiados.
Em uma semana, cinco agentes penitenciários foram mortos em São Paulo, em ações atribuídas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Apesar de nenhum funcionário ter sido morto na região, o sindicato avalia que além de solidariedade com os colegas, a paralisação é uma forma de chamar a atenção do governo e da sociedade. “Todos estão revoltados com a situação. Apesar de não ter morrido ninguém aqui, sabemos que a qualquer momento isso pode acontecer com a gente”, afirma Soriano.
Em caso de paralisação, todos os agentes estarão dentro da unidade, mas não vão exercer nenhuma atividade. Se a morte do agente ocorrer numa terça-feira, às 15h, por exemplo, a partir da 0h seguinte todos os serviços estarão suspensos. “Se acontecer durante a semana, só vamos obedecer os alvarás de soltura, atendimentos emergenciais de saúde e atendimento do tribunal do júri. Ações que somos obrigados por lei a cumprir”, relata o sindicalista.
Entre as tarefas que serão interrompidas estão o atendimento ao deslocamento de prisioneiros, visitação de advogados, audiências jurídicas e recebimento de presos. Se o homicídio acontecer durante um final de semana, os agentes penitenciários vão suspender as visitações e também os acompanhamentos religiosos.
No início da reunião, alguns agentes pediam a suspensão das visitas. “Para o preso, a visita é sagrada. Nós pagamos o preço com a vida. E eles?”, questionava um dos sindicalistas. Mas no final do debate, a votação pela paralisação foi unânime.
Para garantir o cumprimento da decisão, Soriano avalia que é preciso conscientização. “Os colegas precisam se conscientizar da necessidade de pararmos. É a primeira vez que vamos paralisar por solidariedade”, conta. A categoria também reivindica direito a portar arma, melhorias das condições de trabalho, contratação de mais funcionários, reajuste salarial e adicional - a maioria recebe salário de R$ 1.200,00 por mês.