O grupo preso no Vale do Igapó não deu motivos de desconfiança à administração do residencial quando fechou o contrato do aluguel da chácara, ainda na terça-feira. Segundo uma funcionária do local, que pediu para que sua identidade não fosse revelada, os jovens foram extremamente educados e gentis. Eles fizeram o pagamento de R$ 200,00 à vista e reservaram a chácara para quarta e quinta-feira desta semana.
“Eles disseram que fariam um churrasco de dois dias com uma turma de dez amigos. E alegaram que precisavam de uma chácara sem vizinhos porque a festa teria som em volume alto”, comenta a funcionária. A dona do imóvel, que também não quis ser identificada, conta que não percebeu nenhuma atitude suspeita entre os rapazes, a exemplo da funcionária administrativa do residencial.
Na tarde de quarta-feira, quando o grupo já havia entrado na chácara, ela diz que foi até o local para deixar uma TV. “Entreguei (a televisão) para um dos rapazes que estava à beira da piscina, sentado. Não vi nada de estranho, embora estivesse tudo tranqüilo, inclusive sem música. Todos pareciam bons moços”, acrescenta.
A proprietária do imóvel, que ainda está assustada com tudo o que aconteceu, ressaltou que não pretende mais alugar a chácara, mesmo que o dinheiro faça falta no orçamento mensal. “Foi a primeira vez que fiz a locação da casa. Como ninguém anda com uma placa na testa, a gente não sabe, ao certo, com quem negocia. Fazemos na base da confiança, o que nem sempre é seguro”, diz.
Conforme ela, os prejuízos ainda não foram calculados, mas é certo de que foram perdidos sete colchões, já que todos ficaram ensangüentados, e a geladeira, que foi danificada durante o tiroteio. O interior da casa terá de receber nova pintura porque manchas de sangue ficaram por toda parte, inclusive no quarto. Os vidros das janelas também terão de ser reparados. A maioria foi estilhaçada durante a troca de tiros.
Vizinha quer vender casa
A manicure Simone Pompeu Lorius, 33 anos, mora a duas quadras da chácara onde o grupo estava e houve a troca de tiros na quarta-feira à noite. Ela estava na sala com a família quando ouviu os disparos. “Foi um momento de pânico. Lembro que tranquei toda a casa, apaguei as luzes e deitamos no chão da sala. Só levantamos quando os tiros pararam”, lembra Lorius, ainda assustada.
Ela conta que mora no Vale do Igapó há quatro anos e que nunca viu situação semelhante ocorrer no local. Agora, ela quer vender o imóvel e se mudar para Agudos. “Hoje mesmo fui atrás de uma pessoa que estava interessada na casa. Quero vendê-la o quanto antes”.
Outros moradores do Vale do Igapó também reclamaram de insegurança no residencial. A principal reclamação é de furtos. Ladrões, segundo eles, têm invadido várias casas e levado eletroeletrônicos e outros objetos. A ação seria facilitada porque muitas das chácaras são usadas apenas aos finais de semana. Além disso, o residencial tem vasta área de mata e os imóveis ficam distantes um do outro.