Regional

Droga seguia de Gália para Exterior

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Gália - As investigações da Operação Ícaro vinham sendo feitas há meses pela Polícia Federal (PF), inclusive com a utilização de autorizações judiciais. Segundo o delegado Fernando Francisquini, da coordenação de operação de fronteiras da PF, o patrimônio dos integrantes da quadrilha está avaliado, em princípio, em R$ 200 milhões e os bens devem ser seqüestrados pela Justiça. “Podemos destacar que somente de Luciano Daniel nós estamos com seis fazendas localizadas e duas mil cabeças de gado. De Floriano Nolasco nós temos aviões, helicópteros e prédios inteiros com apartamento de cobertura em regiões nobres do País”, informa o delegado.

Ele ressalta ainda que o seqüestro do patrimônio pela Justiça será um grande golpe na estrutura do tráfico internacional de cocaína no País. “Era uma organização muito acima de qualquer organização criminosa brasileira. Tinha várias ligações no Exterior, recebendo cocaína de países que plantam a coca. O refino era no Brasil e a droga era exportada em alguns casos”, conclui.

A compra da duas fazendas, onde foram instaladas as refinarias, foi acompanhada durante meses pela PF. Uma delas teria custado cerca de R$ 400 mil e outra em torno de R$ 500 mil. Ambas compradas à vista. “Não é qualquer quadrilha que tem R$ 1 milhão escondido em dinheiro para comprar os locais”, comenta, ressaltando que, na casa de Nolasco, também foram apreendidos R$ 80 mil em dinheiro além de mapas e rotas de vôo. Ao chegar à fazenda Santa Tereza, em Gália, acompanhado por policiais, Nolasco se limitou a dizer à imprensa que “nem tudo o que parece é”.

As investigações prosseguem agora para determinar quem recebia pelo transporte e refino da droga. Junto com o material apreendido pela PF está a contabilidade da quadrilha e, segundo Francisquini, novas prisões poderão ser desencadeadas nos próximos dias. “Temos provas suficientes, se ele (Nolasco) não quiser dizer nada para nós, ele não precisa falar, já está enquadrado (na lei)”, afirma.

Armamento

O armamento encontrado com a quadrilha na refinaria de Gália era composto de quatro fuzis, duas escopetas, duas carabinas, 17 pistolas (de calibre restrito ao uso militar e policial), grande quantidade de munição (inclusive granadas) e um binóculo de visão noturna. “Esse arsenal é usado para a proteção das refinarias em razão da grande disputa interna entre os grupos do tráfico internacional de cocaína”, disse o delegado, ressaltando que também foi apreendido um helicóptero, tipo esquilo, e três caminhonetes pickups, que eram utilizados pela quadrilha.

Segundo Francisquini, os helicópteros pousavam em canaviais próximos à região e descarregavam a droga que era, em seguida, transportada pelas caminhonetes até o local de refino.

Ele calcula que havia uma remessa mensal de, aproximadamente, 300 a 400 quilos de pasta base de cocaína e que após processada a produção de cocaína chegava a uma tonelada por mês na região.

De acordo com ele, a droga despejada na região partia da Bolívia e era levada até o Paraguai.

Do Paraguai, a droga era transportada por uma aeronave até as regiões de fronteira de Santa Catarina e Paraná, no Brasil. Dali, a pasta era enviada, então, para o Interior de São Paulo para ser processada nas refinarias de Pardinho e Gália. Em seguida era redistribuída para ser comercializada no Brasil e no Exterior.

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