Geral

Mais de 100 ambulantes esperam vagas

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar da instabilidade econômica que vem afetando o poder de compra da maioria dos brasileiros, em Bauru, o interesse de ambulantes por pontos comerciais no Centro da cidade é maior que o número de vagas disponíveis. Mais de 100 comerciantes do ramo, popularmente conhecidos como camelôs, estão na fila de espera por um espaço na via pública.

Em fevereiro deste ano, a prefeitura abriu inscrição para o preenchimento de 42 vagas nos trechos das ruas Bandeirantes, Ezequiel Ramos, Araújo Leite, além da Praça das Bandeiras. Cerca de 150 pessoas se cadastraram.

Conforme informações do diretor do Departamento de Uso e Ocupação do Solo da Secretaria do Planejamento (Seplan) de Bauru, Darcy Rodrigues, os espaços serão liberados aos ambulantes até o fim deste mês.

Segundo ele, o déficit de vagas não é resultado da regulamentação da atividade no município, que ocorreu há quase dez anos. Rodrigues afirma que a economia informal em Bauru cresce aceleradamente e a cidade, principalmente na região central, não comporta mais o mercado ambulante. Por conta disso, o representante da Seplan adianta que não há previsão de abertura de um novo cadastro de ambulantes e a viabilização de novas áreas.

“Não há mais espaço para esse tipo de atividade em Bauru. Infelizmente, não é possível suprir toda a demanda. Temos que priorizar quem mais necessita de trabalho”, acrescenta.

Para Rodrigues, a solução seria a viabilização de um camelódromo na cidade. Ele sugere a construção de um espaço com toda a infra-estrutura necessária para abrigar os comerciantes. Entretanto, o projeto ainda não está nos planos da Seplan.

O vigilante Claudinei Ferreira da Silva tentou em duas oportunidades um ponto no Centro de Bauru para instalar uma banca de brinquedos. As duas tentativas, segundo ele, foram frustradas. “Como sou solteiro e não tenho dependentes, acabei ficando sem. Acho que esse método da prefeitura é muito injusto porque todo mundo precisa trabalhar”, diz Silva, que vive de “bicos” desde julho de 2003, quando ficou desempregado.

Fabrício Carlos Genaro, representante dos trabalhadores informais em Bauru, acredita que a grande procura por pontos comerciais é motivada pelo crescente desemprego da população. Ele diz que a prática da atividade, pelo menos em Bauru, está difícil, principalmente porque as vendas caíram muito nos últimos anos.

“Quem não está no ramo não tem a visão que temos, não sabe como está difícil vender. Para essas pessoas, que estão desempregadas, montar uma banca é a uma saída para voltar a ganhar dinheiro. Mas o poder aquisitivo em Bauru caiu muito”, conclui.

A opinião de Genaro é compartilhada pela ambulante Fabíola Lígia Félix, que tem uma banca de bonés na rua 13 de Maio, quase na esquina do Calçadão da Batista de Carvalho.

Ela diz que há quatro anos, quando começou na atividade, seu faturamento possibilitava guardar dinheiro em caderneta de poupança. Hoje, a situação é outra. “As vendas estão fracas demais e os custos para trabalhar são muitos. Por mês, se eu tirar um salário mínimo (R$ 350,00) é muito. O bauruense está pobre e, grande parte, desempregada”, analisa Félix.

A ambulante ressalta que os impostos municipais, como a taxa de alvará de funcionamento e a taxa de Uso e Ocupação do Solo, são os custos que mais oneram os comerciantes do ramo.

Comentários

Comentários