Em mais uma ação cinematográfica, a Polícia Civil de Bauru prendeu três acusados de fazer parte da quadrilha que deflagrou uma onda de furtos e roubos a residências na cidade. Com base em investigações realizadas desde o meio de junho, oito homens da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) cercaram uma casa no Parque Santa Ediwrges, que estaria abrigando os acusados, às 5h de ontem.
Depois de duas horas de observação, às 7h, a polícia invadiu a residência. Jhonatan de Barros Aquino, um dos acusados de integrar a quadrilha e foragido da polícia, se escondeu no forro da casa. Para pegá-lo, a polícia jogou uma bomba de gás lacrimogênio no forro, o que o obrigou a abrir um buraco no telhado. De lá, ele conseguiu escapar, pulando de um quintal para outro. Perseguido pelos policiais, ele foi preso a quatro quadras da casa em que estava.
Outros dois acusados de integrar a quadrilha foram detidos. Um deles é Deivid Lopes de Oliveira, 22 anos, morador da casa invadida, que teve a prisão preventiva decretada ontem à tarde. O outro, que também teve a prisão preventiva decretada, é Alexandre Aparecido Mira Justiniano, 24 anos, que mora aos fundos de Oliveira. Até ontem, a polícia não sabia se Justiniano era receptador ou integrante do grupo. Um quarto suspeito de participar dos roubos foi identificado e estava sendo procurado pela polícia.
A operação de ontem aconteceu 23 dias depois da polícia ter capturado o eletricista Oscimar Vecchietti, 44 anos, considerado o líder da quadrilha que estava realizando uma serie de roubos e furtos a residência. Durante a ação, que prendeu Vecchietti, outros dois suspeitos fugiram. “No dia que cercamos a casa, eles tinham feito um roubo. Quando eles estavam retornando, perceberam os policiais e conseguiram fugir”, conta Silberto Sevilha Martins, titular da DIG. Como na casa dele foram localizados objetos roubados de seis residências entre maio e junho, atribui-se a ele aos dois que fugiram os roubos.
Após a prisão, o eletricista relatou sua atuação em vários assaltos e a partição de outras duas pessoas, Aquino e outro suspeito. Porém, mesmo após a prisão de Vecchietti, aconteceram mais três assaltos utilizando a mesma tática empregada dos anteriores. “Acreditávamos que, com a prisão de Vecchietti, iríamos desarticular esses roubos. Mas os que fugiram continuaram”, conta o delegado. “Todos os roubos tinham o mesmo modus operandi: aconteciam no mesmo horário, tinham o mesmo jeito de ingressar na residência, abordavam as vítimas da mesma forma”, enumera Martins.
Dando prosseguimento às investigações, descobriram onde os suspeitos estavam se reunindo. “Eles estavam na casa de Oliveira. Dois quartos da residência eram ocupados apenas com colchões, o que aumenta a suspeita de se tratar de um esconderijo, pois a casa onde prendemos Vecchietti estava do mesmo jeito”, aponta o delegado. Na casa de Oliveira foi encontrada uma agenda, onde o nome do eletricista constava ao lado de seu apelido: “Paizão”.
Com a prisão de ontem, a polícia já esclareceu um dos roubos realizados depois da ação de junho e ainda investiga a atuação da quadrilha fora de Bauru. “A polícia de outras cidades já pediram a foto dos suspeitos, porque há notícias de que eles teriam agido na região”, conta Martins.
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Vítima
No domingo, Elza Pantaroto, seu filho e a nora foram amordaçados, tiveram as mãos presas para trás do corpo e foram trancados num dos cômodos da casa, durante roubo a sua residência, na Quinta da Bela Olinda. Os assaltantes escalaram um muro de mais de três metros e mesmo com a cerca elétrica, conseguiram invadir a casa. Depois de rendê-la com uma das facas da cozinha, ameaçaram os outros dois moradores.
A dupla de assaltantes levaram dois televisores, um DVD, um aparelho de som e um videogame playstation, bebidas e o veículo. Avisada, a polícia avistou o veículo e durante a perseguição, os assaltantes capotaram o automóvel.
Ontem pela manhã, as três vítimas compareceram à DIG e reconheceram alguns objetos. “Foi uma coisa muito rápida, uns 15 minutos. Eles não foram agressivos e um deles até pediu para não nos amarrarem muito apertado”, lembra. Como os assaltantes estavam encapuzados, eles não reconheceram os suspeitos.
Apesar de conseguirem recuperar algumas garrafas de bebida, e o aparelho de som do carro, os itens mais valiosos, como duas televisões e um aparelho de DVD não foram localizados. “O sentimento é de justiça. Mas tenho medo que eles saiam logo. O mais importante é que não fizeram nada com a gente”, conta Pantaroto.