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Franceses vêem vitória sobre o Brasil como ‘divisor de águas’

Folhapress
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Berlim - Finalista da Copa do Mundo após chegar à Alemanha cheia de desconfiança, e depois de realizar uma primeira fase instável, a seleção da França vê na seleção brasileira o marco de seu “sprint” final na competição.

Os franceses se classificaram para a segunda fase após empates contra Suíça e Coréia do Sul, e uma não convincente vitória sobre a estreante seleção de Togo, adversário que perdeu todos os jogos do Grupo G.

A campanha apenas regular fez com que o time enfrentasse nas oitavas-de-final a Espanha, um dos destaques da competição até então. A vitória por 3 a 1 sobre os espanhóis elevou a confiança do time, mas não é vista como o ponto de partida da reta final.

“Contra a Espanha nos defendemos muito bem, mas foi contra o Brasil que começamos a jogar futebol”, disse o lateral Sagnol. A vitória sobre os brasileiros, além da atuação de gala do meia Zidane, marcou a primeira vez em que a Seleção Francesa marcou um gol com um passe do ex-jogador do Real Madrid para Thierry Henry.

A campanha instável da primeira fase rendeu rumores de uma possível desunião no grupo e desavenças do elenco com o técnico Raymond Domenech. Mas os franceses fazem questão de negar os episódios.

“Não houve nada disso, o grupo está muito unido. Foi uma simples questão de encontrar o caminho”, finalizou Sagnol, que ressaltou o trabalho do técnico francês como alguém que soube unir a equipe. Segundo o lateral, Domenech deixou aberto espaço para todos falarem bastante.

Defesa

Com um desempenho ofensivo pífio na Copa do Mundo-2006, a Seleção da França exalta suas próprias qualidades defensivas antes da final contra a Itália, amanhã, em Berlim. Até mesmo Zidane e Henry, maiores astros de ataque do time, são apontados como responsáveis pela firme retranca.

O time treinado por Raymond Domenech marcou somente oito gols até agora no Mundial (média de 1,33, contra 1,83 da Itália) e pode inclusive ser o campeão de pior ataque na história.

A equipe que levantou o troféu com o pior desempenho ofensivo até hoje foi o Brasil de Carlos Alberto Parreira, em 1994, que fez 11 gols em sete partidas - média de 1,57. A defesa francesa, no entanto, foi vazada apenas duas vezes nos seis jogos disputados até agora - também atrás da Itália, que levou apenas um gol -, mas é vista pelos próprios jogadores como o grande diferencial da equipe.

“Nossa defesa sólida é a base do nosso sucesso. A seleção francesa é um bloco defensivo, mas também sabe jogar”, disse Sagnol, ontem. Sagnol também ressaltou que pelo fato de o time jogar com postura defensiva, o desempenho de Henry e até mesmo de Zidane às vezes acaba prejudicado.

“O Zidane e o Henry também fazem uma boa marcação, em detrimento de seu jogo pessoal. Todos estão se esforçando para defender. O Zidane também tem habilidades defensivas muito grandes”, afirmou.

O atacante reserva Sidney Gouvou chegou a dizer que o estilo de jogo da França “não é atraente para os atacantes”, mas depois afirmou que “todos precisam entender que defender bem também é uma forma de ataque”.

Em comparação com o time francês que foi campeão em 1998, em cima do Brasil, o desempenho ofensivo da equipe atual é bem inferior. Aquela seleção teve o melhor ataque do torneio, com 15 (2,15 de média). No Mundial seguinte, em 2002, o Brasil fez 18 gols (2,57 por partida) para conquistar o penta.

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