Bairros

Julho cria dilemas para as mães

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Passar manhãs e tardes distantes do carinho dos filhos ou suportar dias inteiros de bagunça e gritarias? A questão chega a ser um verdadeiro dilema e atormenta diversas mães no mês de julho.

“As férias no bairro sãos os ‘papagaios’ (pipas) que voam e pedras que rolam nas casas. Ninguém tem sossego”, diz Tereza Barroso do Nascimento, moradora do Parque Santa Edwirges, zona noroeste de Bauru.

Ela tem uma neta de 7 anos que ainda está em período de aulas e já sabe qual será programação do mês de férias. “Minha neta vai ficar em casa brincando ou estudando, com portões fechados, para evitar que fique na bagunça que é aqui fora”, diz Tereza.

Um grande problema para as mães que vivem em bairros de periferia é dosar liberdade para diversão dos filhos e proteção contra os perigos da rua.

“Meu neto passa a maior parte do tempo em casa. Deixo sair um pouco, mas ele e os amigos precisam insistir bastante para que eu dê permissão”, conta Maria Pereira Bueno, avó de Iago, 11 anos, que brincava de betes (ou taco) na rua João Davilla Munhoz, no Núcleo Édson Francisco, e está de férias desde segunda-feira passada.

A rua é uma ladeira toda esburacada e as crianças precisam dividir a atenção entre a bolinha do jogo e os carros que transitam por lá.

Irene da Silva, que vive no Núcleo Nova Bauru, é outra mãe que procura dar um pouco de liberdade para o filho, Gabriel, de 8 anos. O garoto brinca, de vez em quando, num pasto próximo à casa, que costuma funcionar também como dormitório de vacas. “Eu deixo freqüentar ali, mas aviso que, se aparecer algum boi, ele tem de vir embora.”

Apesar das travessuras e dos perigos a que as crianças estão sujeitas, pela falta de áreas de lazer, a maioria dos pais e mães gosta do período de férias, por considerarem uma chance de estarem mais próximos dos filhos.

“Meus filhos não dão trabalho quando estão em casa”, garante Claudemir Donizeti Anastácio, morador do Núcleo Édson Francisco, pai de um garoto de 11 anos e uma menina de 15. Sua opinião a respeito do comportamento dos filhos é enfática. “São crianças obedientes”, endossa, orgulhoso.

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