Economia & Negócios

Urgência em ‘limpar o nome’ incentiva empréstimos

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

A aquisição de crédito pessoal nas agências bancárias está cada vez mais fácil. Muitas instituições, inclusive, para agilizar o empréstimo, nem levam mais em consideração a renda mensal do cliente como requisito determinante para a aprovação do crédito. Sem falar que, na maioria das transações, o cliente consegue a liberação do dinheiro no mesmo dia em que solicitou o recurso. Outro atrativo são os longos planos oferecidos para saldar a dívida, que podem ultrapassar os 24 meses.

Essa maleabilidade dos bancos tem se tornado a salvação de muita gente que se diz “com a corda no pescoço”. Muitas pessoas, às vezes para pagar contas não superiores a R$ 300,00, recorrem aos créditos bancários. Em grande parte dos casos, o cliente acaba emprestando muito mais do que precisaria, seduzido pelas facilidades de empréstimo e pagamento.

Na maioria das vezes, o cliente leva em consideração apenas se as parcelas cabem no orçamento e despreza cuidados essenciais com as taxas de juros. Procedimentos assim, avisam economistas e especialistas no assunto, podem levar a pessoa a se endividar ainda mais.

Segundo dados fornecidos pela assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru, a instituição concedeu R$ 78.352,00 créditos pessoais na cidade e região de janeiro a 20 de junho deste ano. Nesse período, foram 60.430 contratos assinados e a média de R$ 1.300,00 liberados para cada um dos empréstimos.

No mesmo período de 2005, o Escritório de Negócios de Bauru da CEF liberou cerca de R$ 69.250,00 entre 63.726 propostas aprovadas para a liberação de crédito pessoal. A média de valor por contrato foi de R$ 1.000,00.

Os números revelam que no ano passado foram concedidos cerca de R$ 9.000,00 a menos em empréstimos, porém aproximadamente 3.700 pessoas a mais que neste ano recorreram às linhas de crédito bancárias.

O superintendente regional da CEF em Bauru, Geraldo Luiz Machado de Oliveira, admite que as facilidades de aquisição de crédito aliadas à redução das taxas de juros têm contribuído muito para que a procura por empréstimos em bancos chegasse ao patamar que está hoje.

Ainda segundo ele, os créditos pessoais não estão sendo opção apenas para saldar contas em atraso, embora em grande parte dos casos o principal motivo seja este. Os créditos pessoais bancários, informa Oliveira, tem sido utilizado como alternativa para comprar um bem temporário, fazer uma viagem, pagar a formatura e até investir na melhoria da empresa ou na reforma da casa.

“O momento do crédito, hoje, é muito bom para quem precisa de recursos, até pelas taxas que estão sendo praticadas. Elas estão num dos níveis mais baixos dos últimos tempos. O crédito sem avalista, de uma forma bem simplificada, propicia que a pessoa faça uso de um recurso mais barato”, comenta o superintendente.

Ainda de acordo com ele, as renegociações de débitos com clientes que não conseguiram saldar em dia as prestações do empréstimo não são freqüentes, mas são registradas todos os meses.

O economista Fernando Pinho diz que é preciso levar em consideração alguns cuidados básicos antes de recorrer a uma linha de crédito bancária. Segundo ele, é necessário que a pessoa saiba quanto é a taxa de juros que está sendo cobrada no débito que pretende liquidar. Dessa forma, outra modalidade de crédito que ofereça uma taxa de juros menor que a do débito deve ser priorizada.

“O ideal é conseguir um empréstimo cuja taxa de juros seja menor que a taxa da dívida em atraso. Caso contrário, o devedor corre o risco de trocar uma dívida barata por uma cara. Por isso, em primeiro lugar, é preciso saber quanto estou pagando de taxa de juros e se existe uma linha de crédito mais barata do que aquela que estou pagando”, orienta Pinho.

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