Pensar e sentir
Uma das constantes da vida é a escolha. Estamos escolhendo o tempo todo. Já na adolescência me preocupava muito com isto, e em conversas com pessoas mais velhas descobri que para se tomar uma ótima decisão é essencial buscar um equilíbrio entre o pensar e o sentir. Em outras palavras, usar o cérebro e o coração com bom senso antes de decidir. Foi dito na época: se você não pensa, bate a cabeça; e se não sente, bate o coração.
Bem mais tarde aprendi que tudo que fica em desuso gera problemas. Exemplo: água parada gera dengue, lodo ou pântano. Corpo humano que não faz exercício físico atrai problemas de saúde. Nesta linha de raciocínio surgiu uma grande dúvida.
Era e ainda é muito comum a criança, ao se machucar, ouvir: “Isto não é nada”. Uma mentira que, além de criar confusão de discernimento, provoca repressão de sentimento. Com os sentimentos paralisados, esses mesmos homens hoje, de maneira geral, lideram organizações como empresas, famílias e outras instituições, e passam o dia decidindo. Ao falar em sentimento para uma pessoa dessa corre-se o risco de ser ironizado e ouvir que “isto é coisa de mulher”.
O indivíduo utiliza a percepção para discernir a realidade. O perceber depende do nível de desenvolvimento de consciência, que, por sua vez, sem o pensar e o sentir é incompleta. Acrescenta-se a isso o fato de não ser da nossa cultura praticar o pensar com profundidade. Somos ótimos “fazedores” e péssimos planejadores, sem querer generalizar.
Perguntaram certa vez para Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, o que faria se tivesse um minuto para tomar uma decisão. Ele respondeu de prontidão: “Eu pensaria em 55 segundos e agiria em cinco”.
Adiciona-se a isso a pressa, muito comum nos dias atuais. Excessos de atividades fazem com que o tempo se torne um artigo de luxo. Conseqüentemente, decidir rapidamente se torna pré-requisito importante da liderança atual.
Mas pensar rápido é inconsistente. Agindo assim, vê-se apenas fragmentos da realidade. Sou a favor da agilidade, mas não em tudo. Têm certas atividades que devem ser realizadas na velocidade normal. O pensar e o sentir são algumas delas. Portanto, de maneira geral, possuímos os ingredientes essenciais para a tomada de decisão errada, e queremos acertar sempre. O que fazer?
Como sugestão fica aqui um trecho de “O Livro dos Cinco Anéis”, de Miyamoto Musashi, de 1643: “Para alcançarmos a essência de todas as coisas, desde as mais simples às mais complexas, temos de ultrapassar uma grossa camada de idéias e pensamentos que são os nossos conteúdos ilusórios e imaginativos”.
• Sugestão de melhoria
Estipule um dia para “doar” simpatia. Pela lei da “ação e reação”, você receberá muita simpatia de volta.
Davison de Lucas