Saúde

Doença exige insistência

Da Redação
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A depressão só sucumbe ao ser desafiada. E na luta contra ela, qualquer arma é válida. Há quem a tenha a vencido lançando mão de terapias, yoga e até caminhada. Mas encontrar a estratégia adequada é quase tão difícil quanto resistir ao desânimo e ao pessimismo. Nesta busca, tratamentos alternativos e convencionais, por vezes, concorrem. Em outros casos, tornam-se aliados.

Em qualquer situação, quando a derrota parece iminente e nem a oferta de auxílio é bem-vinda, o uso de medicamentos surge como “curinga”. “O remédio repõe um déficit bioquímico, traz alívio para quem está em crise. Mas a depressão sempre é conseqüência de uma alteração mental-emocional. E a bioquímica é uma conseqüência dessa alteração”, diz a psicóloga Ana Cristina Pereira.

Discípula do filósofo e médico Deepak Chopra, ela atribui à vítima a responsabilidade pela superação do mal. “É ela quem fará as transformações (para superar a doença), utilizando os agentes de ajuda, que vão desde medicamentos até uma filosofia nova de vida. Sozinha é muito difícil conseguir. Toda ajuda é bem vinda”, diz.

Uma leitora do JC, por exemplo, recorreu à medicina ortomolecular depois de passar por vários tipos de terapias. Ao vivenciar a depressão, ela passou a notar um número crescente de pessoas com o mesmo problema. A elevação na incidência, no entanto, também está longe de ser unanimidade. O assunto é discutido, inclusive, em congressos médicos, informa a psiquiatra Scheilla Ducati.

De acordo com ela, a curva ascendente pode estar relacionada com acesso à informação. Quanto mais os pacientes conhecem as peculiaridades da depressão, mais procuram assistência médica. Por essa razão, o estigma em torno de problema é descendente. Mas ainda há quem identifique a doença como fraqueza do indivíduo, manha ou frescura.

A idéia passou a ser bombardeada depois que experimentos científicos comprovaram melhora do quadro em pessoas medicadas. “O diagnóstico ainda é difícil. Em alguns casos, a depressão se manifesta predominantemente com sintomas físicos. A pessoa passa por tudo o que é médico e não descobre”, explica a psiquiatra.

E nesse processo, explica Ducati, não dá para apontar um único culpado. Vários fatores provocam a depressão, como genéticos, personalidade e fatores do ambiente.

“A pessoa não precisa sofrer, necessariamente, um estresse grande para desencadear um episódio depressivo. Pode ser pequeno, depende da predisposição”, acrescenta. O tratamento, normalmente, é para a vida toda, afirma uma outra entrevistada que também sofre de depressão. “O tratamento deve ser mantido o tempo todo, é como se fosse diabetes, hipertensão ou obesidade”, garante.

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