Se você é daqueles que abandona os exercícios durante o inverno, saiba que pode estar colocando a perder todos os ganhos musculares e do sistema cardiorrespiratório já conquistados. De acordo com os médicos, após um mês, quem deixa a malhação de lado pode até voltar a ser considerado sedentário. O ideal é continuar com o esporte, mas tomando os cuidados necessários no inverno.
A maior atenção deve ser dada ao aquecimento antes da prática esportiva. Segundo André Pedrinelli, médico do esporte e chefe do Grupo de Amputados da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), para cada hora de exercício, são recomendados de 15 a 20 minutos de aquecimento. O tempo, afirma Pedrinelli, é mais ou menos o mesmo do que deve ser feito nos dias quentes, mas, no frio, a intensidade deve ser maior.
A professora de ginástica e personal trainer Nilcea Araújo Beltrão explica que no inverno os músculos ficam mais contraídos. Por isso, sem alongamento, aumentam os riscos de lesões, dores ou ainda rompimento muscular.
Beltrão alerta, ainda, que nos dias de frio é indispensável o uso de roupas adequadas, como camisas de manga longa e calças para que o corpo mantenha a temperatura e não volte a esfriar. Entre essas roupas não estão as de tecido sintético, diz Fabrício Lopes Buzatto, médico fisiatra e especialista em medicina esportiva. Esse tipo de roupa impede a respiração livre, assim como as apertadas.
Outra recomendação de Buzatto é que se tire os agasalhos à medida em que o corpo for esquentando. Mas, ao sair da academia, se for o caso, eles devem ser colocados novamente para evitar choques térmicos. Se a roupa ficar molhada de suor, o esportista deve trocá-la.
“Não se deve ficar com roupas molhadas, porque o exercício baixa a imunidade do corpo pelo gasto de energia’’, complementa o ortopedista Alexandre Kusabara, do Hospital Beneficência Portuguesa de Santo André. Ele faz um alerta para quem estiver resfriado ou gripado: nesse caso, é melhor evitar os exercícios, pois há risco de os sintomas piorarem.
Buzatto comenta que, como a poluição do ar se agrava no inverno, locais como grandes avenidas têm de ser evitados principalmente nas horas de maior movimento para não aumentar o risco de doenças respiratórias. Mas a poluição não deve ser álibi para parar de malhar, já que os benefícios do exercício superam eventuais riscos. “Além disso, ficar parado por um mês leva à perda do condicionamento’’, avisa.