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‘Brado retumbante’ preso na garganta


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Passados os dia verde-amarelos, a euforia dos gols que vieram e a angústia dos que não vieram, as coisas começam a voltar ao normal, ou melhor dizendo, ao anormal, ou, melhor ainda, ao velho e bom Brasil. O país que aprendemos a amar apesar de todos os pesares que afligem a ele e a nós. O amor pelo Brasil é um sentimento paradoxal, é estranho, e expressar este amor, mais ainda. Quando mostramos este sentimento extremado pela Pátria, quando expomos o nosso orgulho de sermos filhos da Gentil Pátria Mãe, acabamos por nos esquecer dela. Embalados pelos 68 segundos do Hino Nacional que tocava antes de cada jogo, uniformizados pelas cores da nossa bandeira, fechamos nossos olhos para alguns fatos, pois só queríamos ver o gol. Passamos a sofrer de amnésia política e nos esquecemos de CPIs e corrupções, infelizmente, ambas no plural.

Estávamos tão seguros da vitória que nos esquecemos também dos nossos “recentes” problemas com a “in-segurança”. Enquanto brincávamos de técnicos, enchíamos avenidas, parávamos o trânsito para comemorar e bebíamos aquelas parcas vitórias, famílias de agentes penitenciários “bebiam seus mortos”. É isso mesmo, 2 a 1 pro PCC! Outras questões também começaram a ganhar espaço nesse campo, o da bandalheira - que fique bem claro - questões do Ibama. Portaria versus Constituição...resultado? Sabe-se lá ou se sabe? Será que o Instituto vai perder os 5 bilhões em multa que aplicou a madeireiros e outros agressores do meio-ambiente desde 2002 por falta de “Fiscais de Papel”? Afinal de contas, eles não existem no organograma da repartição. Porém, existir eles existem, só não no papel. E isso graças a alterações feitas no regimento interno deste órgão durante o Governo Fernando Henrique Cardoso, que deixaram a Constituição em favor dos bandidos. Essa é mais uma história que nos ronda. Será que a lei vai obrigar o Ibama a devolver a infratores, os 670 milhões recebidos, corrigidos, até então, em multas, bem como os produtos apreendidos dos nossos bosques que nem tem mais tanta vida assim? Isso sem contar no cancelamento do resto desse montante em multas.

É perigoso “torcer” pelo Brasil, pois enquanto torcemos somos “roubados”. Roubam-nos esperanças, alegrias, segurança, confiança e natureza. Devíamos aproveitar esse ímpeto de nacionalismo, patriotismo, orgulho do país e tudo o mais que a Copa do Mundo nos insuflou e abrir os olhos para uma seleção de problemas que assombram. Usar nossa capacidade de organizar times e jogadas e, “técnica e sabiamente”, fazer o Brasil ganhar, pelo menos em outros quesitos, mas na verdade os que realmente importam – não que não fosse bom ganharmos mais uma estrela e nos tornarmos hexa! Estamos em ano de eleições, aliás, bem próximos delas.

Sabemos que moramos em um país emergente – seria o termo eufemismo para subdesenvolvido? Somos, portanto, pobres. Sabemos ainda através do dito popular que “alegria de pobre dura pouco”. Prova disso foram os 68 segundos de Hino Nacional, sair nas quartas de final, “correr” para Portugal do Felipão que também acabou perdendo...e assim caminha a brasilidade... Quanto às eleições, devemos pensar no contrário do tal dito popular: a tristeza do pobre deve durar muito tempo, e, disso já sabemos. Sendo assim, resta-nos votar com cuidado, afinal de contas, “Copa” é de quatro em quatro anos. E eleições? Vamos minimizar o nosso sofrimento! Vamos pensar!

O autor, Paulo Henrique Carducci, é professor de Redação do Colégio Fênix

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