Polícia

Em Bauru e região, agentes não param

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

A adesão dos agentes penitenciários de Bauru e região à paralisação de 24 horas anunciada para ontem foi quase nula. Apenas a Penitenciária 1 de Bauru participou do movimento, mas a interrupção dos serviços durou poucas horas. Por causa da baixa adesão nos demais presídios, os agentes decidiram voltar ao trabalho logo no início da manhã. A entrada dos visitantes ficou suspensa das 7h30 às 9h30.

Nas demais penitenciárias, a visita transcorreu normalmente durante todo o dia de ontem. Segundo informou Reinaldo Duarte Soriano, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindcop), a paralisação só teve sucesso na Capital, na região Oeste e no Vale do Paraíba.

A idéia era suspender os serviços da zero hora de sábado até a zero hora de domingo em protesto contra os seguidos ataques dos bandidos contra agentes penitenciários. A decisão da paralisação havia sido tomada em assembléia. Pela proposta, todos os agentes que estivessem dentro da unidade não exerceriam nenhuma atividade por 24 horas, o que, conseqüentemente, suspenderia as visitas de ontem.

Em contato com os presídios da região, a reportagem do JC apurou que em nenhum deles os agentes cruzaram os braços ontem. Os motivos foram os mais diversos. Alguns justificaram que a paralisação foi decidida muito em cima da hora. “De manhã, havia um monte de ônibus parado em frente à penitenciária para a visita. Então, o pessoal (agentes) achou melhor liberar”, justificou o funcionário de uma das penitenciárias de Pirajuí, que preferiu não se identificar.

No entanto, nenhum funcionário consultado pelo JC se arriscou a dizer se a visita será mantida hoje.

O vice-presidente do sindicato lamentou o fracasso da paralisação. “É uma pena que isso tenha acontecido.” Segundo ele, os funcionários ficaram com medo de uma reação mais violenta das facções criminosas caso as visitas fossem suspensas.

Ainda de acordo com Soriano, os agentes acreditam que mantendo o serviço em sua normalidade é possível evitar um confronto com os criminosos. “Como nunca teve nada grave (atentado) nessa região, eles (agentes) têm medo que a paralisação possa desencadear uma reação.”

Na opinião do sindicalista, esse tipo de pensamento é uma ilusão. “Se eles (criminosos) quiserem fazer alguma coisa, eles vão fazer.”

O agente penitenciário Marcos Machado também lamentou a falta de adesão ao movimento. Na opinião dele, o fracasso da iniciativa é o reflexo da falta de organização das entidades sindicais da categoria. Ele relata ainda que os funcionários não foram comunicados antecipadamente e que faixas e cartazes, explicando e informando a paralisação, não foram entregues e nem mesmo elaborados.

Machado disse ser favorável à suspensão de todas as visitas até que cesse os ataques contra os trabalhadores do sistema prisional.

Comentários

Comentários