Berlim - Após eliminar adversários considerados mais fortes e mais bem preparados, Itália e França disputam a decisão da Copa do Mundo, hoje, às 15h (de Brasília), em Berlim, com a moral elevada. Com um jejum de 24 anos, a “Azzurra” buscará o tetracampeonato. Os “bleus” (azuis) tentarão a segunda conquista em apenas oito anos.
No início da competição, poucos acreditavam na seleção de Zidane. O grupo era tido como desunido. A torcida francesa já dava como certa uma campanha frustrante como a do Mundial de 2002, quando os então campeões foram eliminados logo na primeira fase.
O técnico Raymond Domenech foi criticado por não renovar a equipe, mantendo no elenco “trintões” como o goleiro Barthez, o zagueiro Thuram e os volante Makelele e Vieira.
Após uma classificação sofrida às oitavas-de-final, a equipe cresceu e venceu na seqüência Espanha, Brasil e Portugal, seleções que terminaram a fase inicial nas primeiras colocações de seus grupos.
Zidane, que havia realizado uma temporada ruim no Real Madrid, ressurgiu e voltou a brilhar. Contra os brasileiros, teve uma atuação histórica, com direito a chapéu no atacante Ronaldo e volante Gilberto Silva e assistência para o gol da vitória.
Hoje, aos 34 anos, ele realizará sua última partida da carreira. Três vezes eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa, o meia é o favorito para receber o prêmio de grande destaque da competição, que será anunciado apenas amanhã.
A Itália também teve momentos difíceis em sua trajetória na competição. Um escândalo de corrupção sobre manipulação de resultados na primeira divisão do futebol italiano, envolvendo grandes clubes, como Juventus e Milan, dominou toda a preparação da seleção.
Nos primeiros dias na Alemanha, técnico e jogadores se cansaram de responder a perguntas sobre o caso. A situação levou o técnico Marcello Lippi a fechar treinos e restringir entrevistas.
No ápice da crise, o ex-jogador italiano e atual dirigente da Juventus Gianluca Pessotto caiu de um prédio em Turim. O incidente com o atleta, que defendeu a Itália no Mundial de 1998, abalou a delegação italiana.
A polícia suspeita de tentativa de suicídio. Jogadores chegaram a deixar a concentração em Duisburgo para visitar o ex-companheiro. Muitos atletas, no entanto, declararam que o fato os motivou. Após a heróica vitória de 2 a 0 sobre os alemães nas semifinais, o meia Del Piero, autor do segundo gol, dedicou a classificação ao ex-jogador.
Para a partida de hoje, os treinadores contarão praticamente com força máxima. A exceção fica para o zagueiro italiano Nesta. O jogador não se recuperou de uma lesão na coxa direita, sofrida contra a República Checa, ainda na primeira fase. Materazzi ocupará mais uma vez a posição.
As duas seleções já se enfrentaram quatro vezes em Mundiais. A partida mais importante entre as equipes, porém, ocorreu na decisão da Eurocopa em 2000. Os franceses acabaram vencendo por 2 a 1, de virada, com um gol na “morte súbita” da prorrogação.