Tribuna do Leitor

Um memorial para o Bauru Atlético Clube


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Depois que o E.C. Noroeste passou a integrar o futebol de elite de São Paulo, apesar dos diversos rebaixamentos e as merecidas voltas à divisão de honra, o Bauru A.C. passou a viver momentos difíceis no que tange à sua presença nos campeonatos da II Divisão. Solicitou licença à F.P.F., retornou, mas algum tempo depois encerrou definitivamente a participação no futebol profissional, dedicando-se ao esporte amador e à vida social.

Devo salientar que, na época da grande rivalidade entre Noroeste e o BAC (antes Lusitana F.C.), não tenho receio de confessar que fui, como noroestino roxo, “inimigo” do time baqueano e vibrava intensamente quando de suas derrotas, não apenas nos confrontos diretos contra o Alvirrubro, mas também nas derrotas que sofria ao enfrentar agremiações interioranas, em jogos amistosos ou não.

No entanto, a exemplo dos antigos torcedores do Bauru A.C., também lamento, profundamente, o desaparecimento dessa agremiação que tantas vitórias alcançou: 10 a 1 contra o selecionado de Mato Grosso que havia disputado o campeonato brasileiro em 1942, 6 a 0 frente a um time da Polônia nos anos 30 do século passado e os 8 a 2 até hoje comentados, isto em 1951, contra o Atlanta de Buenos Aires, equipe que tomava parte do principal campeonato argentino. São resultados que jamais serão esquecidos.

Em sua participação nos torneios oficiais da cidade, a exemplo do E.C. Noroeste foi seis vezes campeão, inclusive tri-campeão (31, 32 e 33). A trajetória do Bauru A.C. foi repleta de feitos emocionantes, como o título de 1946 (Campeão do Estado na época do amadorismo marrom). Jogadores famosos do Interior passaram pelas suas fileiras.

Ao terminar com o seu futebol profissional e dedicar-se ao esporte amador, também com intensas promoções sociais, partiu o BAC para essas novas atividades com a mesma força e entusiasmo que eram dedicados ao antigo futebol. Vôlei, basquete, natação, inesquecíveis noitadas festivas em sua sede, com destaque para os bailes carnavalescos, marcaram uma caminhada até hoje lembrada com carinho e saudade.

Agora, tudo isso passou a ser uma pálida recordação de um vitorioso clube social-esportivo-recreativo. E foi em seu gramado, em meados dos anos 50, que começou a aparecer, para o mundo futebolístico bauruense, aquele menino que enchia os olhos de todos nós com o seu maravilhoso futebol. Quando o juvenil baqueano se apresentava na preliminar dos jogos do time titular, a torcida bauruense comparecia mais cedo ao estádio Antônio Garcia para se deliciar e se emocionar com as exibições daquele garoto que mais tarde viria a ser o maior jogador de futebol de todos os tempos.

Com o lendário estádio vendido, em cuja área vai funcionar uma organização comercial oriunda da hospitaleira Marília, quem por lá passar naturalmente que vai comentar: “Aqui é que começou a jogar o Rei Pelé”. Aproveitamos essa carta a fim de sugerir, aos novos proprietários, para que estudem a instalação de um Memorial na construção que lá vai surgir, o qual poderá lembrar tudo de bom que o Bauru A.C. fez pela cidade esportiva, inclusive com um mini-museu sobre Edson Arantes do Nascimento, o nosso grande Pelé.

Seria uma iniciativa das mais simpáticas e muito bem recebida pela nossa população. Essa realização poderá minimizar o impacto negativo criado com o desaparecimento daquele complexo esportivo, cuja história seria contada em prosa e verso por meio da exposição dos troféus, fotografias, revistas, documentos etc. Assim como o E.C. Noroeste desfruta de importante posição no cenário esportivo de Bauru, jamais deveríamos nos esquecer que o seu irmão de glórias, igualmente teve presença marcante nessa triunfal trajetória dentro do esporte da Sem Limites.

Luciano Dias Pires

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