Internacional

Família de Jean Charles diz estar só

Por Daniela Loreto | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - A família de Jean Charles de Menezes, morto em 22 de julho passado - duas semanas após os ataques contra o sistema de transportes de Londres -, foi abandonada pelas autoridades e até pela comunidade brasileira em Londres. É o que afirma Alex Alves Pereira, 28 anos, primo de Menezes.

“O caso está totalmente parado, não há novidades’’, reclama Pereira, queixando-se da demora das autoridades britânicas em esclarecer a morte. Menezes foi morto na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres, após ter sido confundido por policiais com um homem bomba prestes a se explodir.

O brasileiro morreu duas semanas após os atentados no sistema de transportes de Londres que mataram 52 pessoas, no dia 7 de julho, e um dia após os atentados frustrados do dia 21 de julho. Segundo Pereira, a família conseguiu provar que a Scotland Yard mentiu sobre as circunstâncias da morte.

Após as conclusões da investigação sobre o caso, a Polícia Metropolitana reconheceu que Menezes trafegava normalmente pela estação de metrô, e que sua morte foi um “trágico erro”. Os familiares do brasileiro pediram uma segunda investigação da Comissão Independente de Queixas da Polícia (IPCC), que ainda não foi concluída. A conclusão do inquérito, que estava prevista para ser entregue em junho, foi adiada para setembro ou outubro próximo.

O primo do brasileiro diz ter esperança de que a verdade seja descoberta porque o caso é de interesse internacional. “Se dependêssemos apenas da polícia e das autoridades britânicas, nada seria descoberto. Ninguém aqui tem interesse em encontrar a verdade”, afirma.

Pereira também se ressente da falta de apoio da própria comunidade brasileira em Londres. “Os brasileiros que vivem em Londres não se envolvem com o caso do Jean. Se não fôssemos nós, da família, ninguém aqui lutaria por ele. Estamos sozinhos neste país.”

Segundo Pereira, a família não planeja fazer mobilizações ou campanhas nesta sexta-feira - aniversário dos ataques contra o metrô de Londres - nem no dia 22 de julho, quando a morte de Menezes completará um ano. “Campanhas só fazem política, não acharemos a verdade dando gritos por aí, mas analisando os detalhes e exigindo a verdade da polícia”, diz.

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