Eu adoro a França, país admirável por sua história, seus grandes pensadores e cientistas, sua beleza inebriante. É um país para ser visitado muitas vezes, sem o mínimo risco de cair na monotonia. Morei lá por um ano durante o qual aprendi a respeitar a tenacidade e orgulho nacional de seu povo que, desde o tempo dos gauleses, sempre foi um “osso duro de roer”. Nem a ocupação nazista durante a II Guerra Mundial e o colaboracionismo da República de Vichy conseguiram quebrar sua resistência. Hoje, mesmo, é um dos poucos países desenvolvidos a questionar as posições dos EUA.
Esse orgulho carrega uma “pontinha” de arrogância, é verdade, mas que soa natural, pois os compatriotas de Rousseau, Descartes e Pascal são ensinados desde cedo: em casa, na escola e pelos meios de comunicação a amar e reverenciar seu país. Não é diferente nos EUA, na Alemanha, na Inglaterra e em outros países ricos. Não creio que isso seja um defeito! Acredito, mesmo, que essa postura faz muita falta ao povo brasileiro. Os franceses, mesmo os mais humildes, têm orgulho de sua nacionalidade, o que não os impede de admirar o que os outros países têm de bom. Já alguns de nossos compatriotas preferem ter “orgulho” de suas ascendências estrangeiras e sonhar em mudar do Brasil. Vivem a louvar a cultura e tradição de seus antepassados, embora não acrescentem nada a elas ou ao país onde vivem e de onde tiram seu sustento. Só são “brasileiros” no Carnaval, nas Copas do Mundo e na desculpa para atos imorais, como se essa fosse uma característica dos brasileiros... Mas, pior que isso é o complexo de inferioridade generalizado em nosso povo, cultivado pela corrupção e incompetência de nossos políticos, e pelos interesses econômicos internos e externos, quase sempre associados.
Se o orgulho francês for considerado um pecado mortal, nossa falta de espírito de nação é um pecado “masoquista”: uma doença crônica! Ainda temos muito que aprender no tocante a orgulho nacional, mas não como uma forma de alienação ou prepotência: na dose certa ele pode ser uma poderosa motivação, que nos desafie a enfrentar e superar todos os preconceitos e barreiras que os países desenvolvidos nos impõem para preservar sua hegemonia, e espoliar nossa mais-valia. Mas, antes disso, é preciso que superemos esse complexo de inferioridade e criemos condições para desenvolver nossas potencialidades em todas as áreas. E isso deve começar desde cedo: em casa, na escola e pelos meios de comunicação, até que vire uma tradição para todos os brasileiros!
O autor, Adilson Luiz Gonçalves, é escritor, engenheiro e professor universitário