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Nos pênaltis, Itália bate França e ganha o tetracampeonato

Por Thiago Barros Ribeiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Berlim - Demorou 24 anos, mas, enfim, os italianos podem novamente soltar o grito de “campeão mundial de futebol”. Na final da Copa do Mundo de 2006, em Berlim, ontem, a Itália venceu a França por 5 a 3 nos pênaltis, depois de um 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, e se tornou a segunda seleção do mundo a conseguir quatro títulos mundiais. Esta foi a primeira vez em que a Itália conseguiu sair vencedora de uma decisão por pênaltis numa Copa do Mundo. A seleção acumulava uma série de três eliminações neste tipo de disputa: 1990, contra a Argentina, 1994, diante do Brasil e 1998, para a própria França. Nada melhor que um dia especial como o de ontem para superar um tabu tão indigesto.

O jogo de ontem começou muito movimentado e, antes dos 20 minutos, já estava empatado em 1 a 1. Com um pênalti discutível, aos sete minutos, Zidane, cheio de categoria, abriu o placar e se tornou o quarto jogador a marcar gols em duas finais de Copas -os outros são Vavá, Pelé e o alemão Breitner. Aos 19, o mesmo Materazzi que participara do lance do pênalti, aproveitou um escanteio para empatar, com uma potente cabeçada, e definir o placar do primeiro tempo.

A França criou as as melhores jogadas da etapa final, enquanto a Itália ameaçou apenas em cruzamentos à área. O gol, contudo, não saiu e o jogo seguiu à prorrogação, em que os franceses continuaram mais próximos de marcar, mas não conseguiram e acabaram decidindo o título com os italianos nos pênaltis. O lance triste da prorrogação, foi a expulsão do meia francês Zidane, que deu uma cabeçada no peito do zagueiro Materazzi e foi expulso.

Nas cobranças, Pirlo fez o primeiro da Itália e Wiltord empatou. Em seguida, Materazzi fez e Trezeguet mandou no travessão, deixando a Itália na frente. De Rossi e Abidal aproveitaram seus tiros, assim como Del Piero e Sagnol. No pênalti decisivo, Grosso bateu bem, no canto esquerdo de Barthez e deu o tetra aos italianos. Com o triunfo, a Itália iguala o feito do Brasil em 1994, quando, após um jejum de 24 anos, a seleção de Carlos Alberto Parreira superou a própria Itália na final, redimindo-se do fiasco de quatro anos antes, quando fora eliminada nas oitavas-de-final, pela Argentina. Exatamente como a Itália, que, em 2002, sucumbiu, na mesma fase, diante da Coréia do Sul.

Entre outras semelhanças, assim como naquele ano a delegação italiana chegou à Alemanha em meio a um ambiente conturbado por um escândalo interno de manipulação de resultados em seu campeonato nacional. Do lado derrotado, a França não conseguiu repetir, fora de casa, o feito de oito anos atrás, quando venceu um Mundial pela única vez. Entre os remanescentes daquela conquista, Zidane, o mais famoso e talentoso atleta francês, despediu-se dos gramados sem a glória que desejava.

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