Cuiabá - Em depoimento à Justiça Federal em Cuiabá (MT) iniciado na segunda-feira passada e que continuava ontem à tarde, o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, 31 anos, um dos acusados de liderar a máfia dos sanguessugas, disse que negociava emendas ao Orçamento em Brasília para compra de ambulâncias, mas negou pagamento de propina a deputados.
A informação é de sua advogada Laura Gisele Spinola. “Ele (Luiz Antônio) ia lá em Brasília e conversava para ter emendas, mas não estava pagando para conseguir. Ele está explicando isso”, afirmou Spinola.
A advogada negou que seu cliente tenha feito um acordo, em troca de redução de pena, para confirmar à Justiça o suposto esquema de venda de ambulâncias superfaturadas, compradas com verbas de emendas ao Orçamento. “Eu não sei de onde surgiu esse boato”, disse.
Pai de Luiz Antônio e dono da Planam, Darci Vedoin disse à Justiça, no dia 20 passado, que “percorria os gabinetes dos parlamentares, sensibilizando-os da necessidade de investimento na área (de saúde) e apresentando a sua empresa na área de comercialização de unidades móveis de saúde”.
Com interrupções para almoço e descanso durante a noite, o depoimento de Luiz Antônio continuava até o fim da tarde de anteontem. Spinola disse que o interrogatório demora porque são 70 inquéritos policiais sobre compras de ambulâncias superfaturadas por municípios. Luiz Antônio é interrogado sobre fatos de cada um deles. “Há ainda dois CDs de conversas gravadas”, disse a advogada, em referência a escutas telefônicas, feitas pela Polícia Federal, que captou conversas de acusados de pertencer à máfia dos sanguessugas. Preso em Cuiabá desde maio, o empresário deve ser ouvido terça pela CPI dos Sanguessugas, que tem agenda de trabalhos em Mato Grosso.