Primeiramente, obstante discordar, meu respeito àqueles que defendem de forma consciente e democrática o voto nulo ou o voto em branco, legítimas opções do esdrúxulo e incoerente processo eleitoral brasileiro. Agora, tem cabimento obrigar o cidadão a votar e desobrigá-lo a votar em alguém? Como você manda uma pessoa fazer alguma coisa, e, ao mesmo tempo, dá-lhe a opção de não fazer essa mesma coisa. Para compreender melhor, nesse caso específico da obrigatoriedade do voto uma coisa é uma coisa e uma outra coisa pode ser a mesma coisa. Cabe isso? Para compreender melhor ainda, façamos o raciocínio inverso. Imaginemos que o voto seja facultativo, você não deseja votar em ninguém, mas ao mesmo tempo quer que determinado candidato se eleja.
Qual o significado disso? Nada mais errado, nada mais lógico, nada mais contraditório. Um fragoroso engano de pensar. Portanto, a meu ver a questão do “voto nulo” é uma discussão oca, que não leva a nadinha, uma idéia deturpada, uma causa vã. Agora, interessante mesmo seria discutirmos a obrigatoriedade ou não do voto, uma reforma política que contemple a fidelidade partidária, voto distrital, financiamento público-privado eleitoral, caixa 2, isso sim. Sendo assim, o eleitor deve se conscientizar se quer só anular o voto ou mesmo votar em branco. Essa é uma solução de mentirinha, politicamente correta, realidade democrática ruim, enfim, uma travessura política e, por mais que queiramos concordar, não dá. Voto inútil, que a razão depois irá cobrar.
Evidentemente que diante da crise política que aí está e que enoja a todos, é compreensível que o eleitor esteja entediado, desapontado e também indignado com essa desmoralizante classe política que nos tem representado e que envergonha-nos, o que isso é compreensível e que estes venham a representar-nos novamente, e o “voto nulo” contempla essa possibilidade contribuindo assim para a mesmice de sempre. Então, por que anular o voto? Não sei para quê. Tudo bem que esse poderia ser um voto de protesto firmado na “ideologia do descontentamento”, mas uma alternativa mais funcional seria darmos uma resposta à altura nas urnas, numa verdadeira depuração política, faxina eleitoral; e o primeiro passo seria elegermos políticos honestos e que tenham vergonha na cara. De qualquer forma, eleição são escolhas e quando você escolhe, você pode errar ou acertar, mas se você não escolhe (voto nulo), você já errou e isso é omissão, para dizer o mínimo. Sem ferir o princípio do respeito às diferenças, “voto nulo”- tô fora.
Aurélio da Silva Braga - RG 12.912.493