Bairros

Libaneses de Bauru estão preocupados com parentes

Da Redação
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Libaneses que moram em Bauru passam por momentos de tensão com os últimos ataques israelenses ao país do oriente. A comunicação com amigos e parentes que moram na região dos ataques é difícil, já que diversas centrais telefônicas foram destruídas. O deslocamento interno e para outros países também está prejudicado. Portos e aeroportos estão paralisados. Além disso, diversas pontes e rodovias foram destruídas. Sete brasileiros que estavam no país, morreram. Não há notícia de que algum bauruense esteja entre eles.

Bauru tem cerca de 400 famílias de descendência libanesa. Muitos libaneses aproveitam o mês de julho para visitar parentes e amigos no calor do verão do oriente. Há 70 dias, a bauruense Mura Tobias foi para Trípoli (ao norte do Líbano) para rever parentes e amigos. Durante o período, iniciaram-se os ataques de Israel contra os radicais islâmicos do Hizbollah (que habitam a fronteira do país com Israel). Depois das ofensivas, aeroportos foram paralisados. Agora, ela enfrenta dificuldade para retornar ao Brasil.

O irmão de Mura, o empresário Edmundo Tobias (que nasceu no Líbano e veio para o Brasil com 16 anos), conta que, depois dos ataques, portos e aeroportos do país foram paralisados e a irmã só encontrou uma maneira para voltar ao Brasil. “No Líbano está tudo fechado. Minha irmã só conseguiu passagens de volta na Jordânia. Vai atravessar uma parte da Síria para chegar na Jordânia e pegar o avião. Todo mundo está saindo de uma vez só. A dificuldade de encontrar lugar nos vôos é grande”, afirma.

O Itamaraty enviou um avião para trazer de volta alguns brasileiros que estavam no país. Mura não estava entre eles. Segundo a assessoria de imprensa, não foi feita uma identificação minuciosa dos passageiros (bastava apresentar o passaporte e provar a nacionalidade), portanto ainda não há notícias se bauruenses estavam nesse vôo.

Segundo Edmundo, os principais alvos dos ataques israelenses são portos, aeroportos, estações elétricas, estações de comunicação e pontes em rodovias. “Eles (israelenses) querem destruir a infra-estrutura para pressionar o governo a expulsar os guerrilheiros. Bombardearam um porto localizado há cinco quarteirões da casa onde minha irmã está hospedada”, conta Edmundo.

Lamento

O deputado estadual Pedro Tobias, que também é irmão de Mura, lamenta pela situação. “O que está acontecendo é um crime contra a humanidade. Tudo o que o nazismo fez para os judeus, eles estão repassando com juros e correção para palestinos e libaneses”, desabafa o deputado.

O empresário Massad Kalim Massad, de Bauru, também vive dias de tensão. Assim como Mura, ele é libanês e possui parentes no sul do país (região mais castigada). A preocupação é grande porque ele não consegue se comunicar com a família há alguns dias. Ele conta que pretendia visitar os remanescentes em agosto, mas desistiu da idéia depois dos bombardeios. “Meu cunhado estava nos esperando. Ele comprou até uma casa e mobiliou para a gente. Mas desistimos depois disso tudo”, afirma.

A tensão fica por conta de amigos e parentes que residem na cidade de Malrjeyoul, no sul do país – região castigada pelos ataques. “Está difícil de se comunicar com as pessoas. Não consigo, de jeito nenhum, falar com meu cunhado e minha sobrinha que tem dois filhos pequenos. Estamos muito preocupados”, desabafa.

O JC conseguiu contato com o diplomata bauruense Cláudio Campos que vive há dois anos no Líbano. Ele revela que, devido ao perigo, as embaixadas de todos os países foram transferidas, da região central de Beirute para um bairro afastado, distante cerca de 13 quilômetros. Campos não tem conhecimento de que bauruenses estejam correndo algum risco.

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Padrão de vida

Localizado no Oriente Médio, o Líbano é um dos menores países do mundo. Seu tamanho é equivalente a meio estado de Sergipe (o menor do Brasil), 10.452 quilômetros quadrados. A população atual do país beira os 4 milhões de habitantes (Sergipe, por exemplo, tem 1,8 milhão). Faz fronteira com a Síria (ao norte e leste) e Israel ao sul. É banhado, a oeste, pelo mar Mediterrâneo.

Cerca de 15 povos diferentes já viveram na região, num período de 10 mil anos. O país foi berço dos fenícios, influente província romana e um dos primeiros a adotar o cristianismo, ainda na época de Jesus. Tanto tempo de história e tantos povos diferentes resultaram num povo de delicada diversidade étnica e religiosa.

A economia e a qualidade de vida chegaram a ser as mais prósperas do Oriente Médio, porém com a guerra civil libanesa, que durou 3 décadas, toda a economia foi abalada. Com o término do conflito interno e a recuperação da estabilidade política, o país se reconstruiu, com ajuda internacional, durante os últimos dez anos. Com a infra-estrutura reconstruída, voltou a crescer rapidamente.

Hoje, o Líbano possui um dos mais elevados padrões de vida do Médio Oriente. As principais cidades são a capital Beirute e Trípoli (maiores do país). Turismo e comércio são as principais atividades econômicas (representam 60% do PIB), seguidos da agricultura (20%) e Indústria (20%).

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Hizbollah

O Hizbollah é um grupo de extremistas islâmicos fundado em 1982 com o apoio da Síria e do Irã, em reação à invasão israelense de Junho de 1982 ao sul do Líbano. Rapidamente se tornou a principal organização militar de confronto a Israel. Os objetivos declarados no início do “Partido de Deus” (tradução do nome para o português) eram estender a revolução islâmica-iraniana e criar um estado islâmico no Líbano. Hoje se tornou uma grande organização, com braços nos Estados Unidos, Europa, Ásia, África e América do Sul.

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