Hoje é Dia Internacional do Amigo e da Amizade, data de comemoração. No entanto, existem pessoas que, por motivos alheios ao seu controle, são privadas de prolongar relacionamentos de infância. Outras conseguem cultivar relações durante toda a vida. São os casos, respectivamente, do médico oftalmologista Riandro Soegeng Reksodihardjo, que nasceu na Indonésia e veio para o Brasil com 10 anos, e do advogado Porfírio Rocha, que nutre amizades que duram mais de 50 anos.
Nascido em Jacarta, Riandro morou em quatro países diferentes num período de 10 anos. “Meu pai era engenheiro de uma multinacional e teve que mudar quatro vezes de país, por conta do trabalho. Até que chegamos ao Brasil e ficamos”, explica.
Segundo o médico, as mudanças foram boas para torná-lo uma pessoa de fácil adaptação, mas prejudicaram os relacionamentos de amizade. “Não tenho amizades de infância por conta das constantes viagens. Hoje vejo meu filho de 12 anos que tem um grande círculo de amizade há algum tempo. Não tenho a experiência de ter jogado futebol com um amigo quando pequeno e ainda poder conversar com ele hoje”, afirma.
As amizades de Riandro só começaram a surgir no Brasil, depois que a família se fixou em Londrina (Paraná). “Agora tenho vários amigos. De verdade mesmo conto uns oito. A maioria vem da época da faculdade e também da residência médica. Um deles acabou de me ligar, inclusive”, confessa. De acordo com o médico, para se existir uma relação de amizade verdadeira é preciso lealdade, sinceridade, honestidade, empatia e uma pitada de bom humor.
A psicóloga Eglê Allegro concorda com as afirmações de Riandro. “Num relacionamento de amizade, buscamos pessoas que tenham as mesmas afinidades que as nossas, ou pertençam a um mesmo grupo de interesse. Que tenhamos, acima de tudo, confiança”, afirma. Segundo a psicóloga, não é fácil manter relacionamentos duradouros. “Uma amizade precisa ser cuidada, senão acaba. Para cultivar é preciso conviver, demonstrar interesse, dar um telefonema, mandar lembranças. É uma relação de troca, e quando apenas um lado está disposto, ela tende a acabar”, explica.
Cultivar amizades não é problema para o advogado Manoel Porfírio, de 73 anos. “Tenho dois amigos do peito. Um conheço há 40 anos, outro há mais de 50”, relata. Para ele, a distância não se torna um entrave quando a relação é realmente verdadeira. “Um desses dois eu conheci bem na infância. Prestamos vestibular e cursamos faculdade juntos aqui em Bauru. Ele teve que se mudar para São Paulo, mas essa distância não abalou em nada nossa amizade”, revela.
O advogado também acha que é preciso existir interesses em comum para que os relacionamentos se prolonguem. Lealdade, confiança e respeito são as qualidades que destaca numa amizade sadia. “Amigo de verdade é para a vida toda”, conclui Porfírio.