Bairros

Rede estadual tem 12% de salas ociosas

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

A maioria das 49 escolas estaduais de Bauru tem sala ociosa em pelo menos um dos três períodos de aula – manhã, tarde ou noite. E o motivo é a falta de alunos para utilizar todo o espaço físico. Juntas, as unidades de ensino estaduais têm 598 salas, das quais 286 (47%) ficam vazias à noite. À tarde, sobram 86 e de manhã, 64 sem serem utilizadas. Portanto, sem construir novo prédio, a Secretaria do Estado da Educação poderia criar 436 novas turmas de alunos nos três períodos na cidade.

A média de ociosidade é de 12% - o equivalente a 75 salas – entre todas as instituições. Segundo Paulo Maximino, delegado interino de ensino em Bauru, a escola Ernesto Monte, que possui 23 salas para atender estudantes de 5.ª a 8.ª série do ensino fundamental, supletivo e do ensino médio, é uma das instituições com o maior índice de desocupação. São 17 salas à noite, 11 à tarde e uma de manhã.

A escola Christino Cabral, no Jardim Estoril, apresenta quase a mesma situação. Das 26 salas, sete ficam sem alunos no período da tarde e cinco no período da manhã. A escola atende alunos de 5.ª a 8.ª série do ensino fundamental e do ensino médio, exceto no período noturno. A ocupação é mais regular em escolas de ensino fundamental de 1.ª a 4.ª série, nas quais, praticamente, não há ociosidade entre as classes.

Na escola Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, por exemplo, as 14 salas existentes são utilizadas de manhã e à tarde. No período noturno, quando são atendidos alunos do supletivo (de 5.ª a 8.ª série e ensino médio), apenas duas salas ficam vagas. A escola Luiz Braga, no Jardim Europa, a exemplo da Ayrton Busch, preenche suas nove salas nos dois períodos. A instituição não tem aulas à noite.

Para Maximino, a ociosidade é reflexo da demanda de alunos, que é menor nas primeiras séries do ensino fundamental em comparação aos demais níveis de ensino. Ele ressalta que a prefeitura atende parte dos alunos de 1.ª a 4.ª série que estão na rede pública.

O índice de ociosidade de salas é maior no período noturno. A maioria dos alunos prefere estudar de manhã ou à tarde, segundo dados da Diretoria de Ensino. “Como hoje a lei não permite trabalhar antes dos 16 anos, a não ser em caráter de aprendiz, ninguém quer estudar à noite. Isso explica o déficit de alunos no período noturno”, avalia Maximino.

Ele ainda ressalta que as escolas instaladas em bairros periféricos apresentam menor número de salas vazias à noite. Nessas regiões, afirma Maximino, a demanda de alunos é bem maior. Em alguns casos, como na Pousada da Esperança, os estudantes têm de ser transportados para escolas do Centro de Bauru porque a escola do bairro não comporta toda a demanda.

Apesar da ociosidade de salas na maioria das escolas, Maximino garante que não há possibilidade de fechamento de unidades de ensino em Bauru. Ele ressalta que não há pessoas em idade escolar em Bauru fora da escola. Concorda com ele Maria José Oliveira dos Santos, coordenadora da subsede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Bauru.

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Reflexo da municipalização

Para Maria José dos Santos, coordenadora da subsede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Bauru, a ociosidade de salas de nas escolas estaduais da cidade é reflexo da municipalização do ensino. Em 1997, a prefeitura deu início à expansão da rede municipal de ensino por conta da possibilidade de optar por atender alunos de 1.ª a 4.ª série mediante recebimento de verba.

A conseqüência foi o ingresso de um número maior novos alunos na rede municipal e não na rede estadual. “Nos últimos anos, a prefeitura abriu muitas escolas na periferia, o que contribuiu para a queda do número de alunos na rede estadual. Um outro fator é o envelhecimento da população. Os casais estão tendo menos filhos”, analisa a coordenadora da Apeoesp.

Ela acredita que as salas ociosas poderiam ser úteis ao modelo de Escola Integral que já está sendo instalado pelo governo do Estado, porém, com ressalvas. “Primeiro é preciso dar condições para que essa proposta dê certo, como condições de trabalho e material de qualidade. Da forma que está sendo colocada, sem estrutura e pegando o professor de surpresa, não acho viável”, acrescenta.

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