No ano de 1955, falsos corretores, na verdade tesoureiros da campanha política de um certo candidato, usando papéis falsos do governo, deram grandes prejuízos na região de Avaí, inclusive para o meu pai. Mas num dia destes, eu assistia a uma reportagem na TV sobre uma fazenda e não é que o gerente daquela propriedade era filho justamente de um daqueles bandidos do passado? Eu liguei logo para o meu irmão mais velho, o Rubens, para que ele visse com seus próprios olhos, onde estava parte do nosso suado dinheirinho.
Ele viu, ficou nervoso e assim esbravejou: “Vamos montar um acampamento de sem-terra bem no meio da fazenda daqueles ladrões”.
A reportagem continuou e o teste para os futuros reprodutores consistia em estimular o animal com uma vaca de mentirinha enquanto introduziam no seu “fiofó”, uma baita haste metálica ligada a uma tomada de 220volts.
O touro, ativado eletricamente, ficava maluco, berrava, esperneava, mas amarrado como estava, ejaculava o seu precioso sêmen num vasilhame que seguia para as últimas pesquisas. Alguns animais saiam dali em estado lastimável, devido ao sufoco pelo qual passavam.
Eu liguei de novo para o meu irmão para saber se ele ainda mantinha suas intenções de montar um acampamento por lá.
“Cancelar acampamento”, respondeu o mano-velho.
Eurico de Oliveira - de Avaí/SP