O eleitorado jovem em Bauru cresceu. Principalmente na faixa dos 16 anos, onde o número de eleitores é mais que o dobro do que era em novembro de 2002, logo após a última eleição presidencial. Na ocasião, o número de jovens de 16 anos com título de eleitor era de 443 e atualmente este número chegou a 917, ou seja, um aumento de 107%.
O número de eleitores com 17 anos também cresceu. Em 2002, o número de eleitores nesta faixa etária era de 1.591, passando para 2.388 neste ano, um aumento de 50%. Se somadas as duas situações, o eleitorado bauruense com menos de 18 anos – que não são obrigados a tirar o título de eleitor - cresceu 62,5%, passando de 2.034 para 3.305.
Proporcionalmente, o número de jovens que tirou o título, de 2002 para cá, cresceu mais em Bauru do que no Estado de São Paulo. No mesmo período o colégio eleitoral paulista registrou um aumento de 58,5% nos eleitores com menos de 18 anos. Em termos de Brasil a diferença é maior ainda. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o crescimento de eleitores menores de 18 anos no país foi de 39% de 2002 até agora.
Apesar da importância dos números, fica a dúvida se o crescimento se deu mais em razão de fatores demográficos ou se o jovem está mais politizado. Para o pesquisador e cientista social da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Celso Zonta, o crescimento do eleitorado jovem pode ter muitas variáveis.
Segundo Zonta, um dos fatores que pode explicar o crescimento é a proximidade das eleições. “Os números tendem a aumentar quando estamos próximos de uma eleição”, ressaltou. Outro ponto importante destacado pelo professor é o fato da eleição presidencial ser mais atrativa aos jovens do que as eleições municipais. “A juventude se interessa mais por esse tipo de eleição”, disse.
Zonta também destacou que a lei instituindo o voto facultativo dos 16 aos 18 anos é nova, por isso há certa tendência ao crescimento, conforme a lei vai sendo assimilada pela população. “Há um processo claro de estimulação, por parte da família, dos amigos e da mídia, que sempre promove campanhas pelo voto do jovem”, ressaltou.
Pouco politizados
Por outro lado, Celso Zonta destacou que o crescimento do eleitorado na faixa dos 16 e 17 anos não significa que os jovens estão mais politizados. Para ele, deve-se levar em conta que nessa fase da vida as pessoas procuram tirar seus documentos, para procurar emprego, ou simplesmente para participar. “Mas participação não significa politização. Nem mesmo podemos dizer que esse jovem que tirou o título de eleitor irá votar em outubro. Aí seria necessário fazer uma pesquisa mais ampla”, destacou.
O cientista social argumenta que não houve um fator de impacto que levasse os jovens a mudar de atitude e se tornarem mais politizados. Ele lembra que na primeira eleição que se permitiu o voto jovem, em 1989, era a eleição direta para presidente, depois de anos de ditadura militar. Em seguida houve o processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. “Do ponto de vista de lideranças políticas, também não surgiu nada novo que tivesse influência nos jovens”, frisou.