Para o professor de Geopolítica e Realidade Socioeconômica Brasileira da Universidade Sagrado Coração (USC), Sebastião Clementino da Silva, o Macalé, anular o voto é uma forma do eleitor demonstrar descontentamento. “No nosso sistema político, foi a forma que o cidadão encontrou para protestar”, disse.
Entretanto, Silva ressalta que não considera o voto nulo um instrumento muito democrático. “Embora aceite o voto nulo como a demonstração de insatisfação política, seria interessante que os eleitores escolhessem um candidato para votar”, destacou. O professor da USC salientou que o voto nulo sempre acaba favorecendo um candidato, já que não é computado como válido, na hora da apuração.
Segundo Silva, uma das formas de diminuir o número de votos nulos seria acabar com a obrigatoriedade de votar, mas ele alerta que o voto facultativo também poderia aumentar o número de abstenções, e não solucionaria o problema. O ideal, conforme o professor, é alimentar no cidadão a necessidade de votar de forma consciente, para que aos poucos se comece a mudar a realidade do país. “Essa conscientização compete às escolas, grupos de organização civil, entre outros, já que a maioria da população, embora insatisfeita, não tem noção da importância que o voto tem na vida da sociedade”, frisou.
Já a professora Cleide Biancardi, coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda das Faculdades Integradas Bauru (FIB), não considera o voto nulo um instrumento de protesto útil. “No caso do Brasil, anular o voto é a pior forma de protestar”, afirmou.
Para ela, isso só aconteceria se 100% dos eleitores anulassem o voto, o que é considerado impossível, e ainda assim acarretaria outros problemas. “Seria uma situação complicada. O que iria acontecer? Prorrogação de mandato de quem já está lá?”, questionou.
Biancardi também não acredita que tornar a eleição facultativa resolveria os problemas, já que a abstenção seria grande, devido à insatisfação do eleitorado. Para ela, uma solução viável seria a instituição do voto distrital e a adoção do modelo em vigor nos Estados Unidos, onde os eleitores escolhem um colégio eleitoral que decidirá quem será o presidente da República.
A professora defende ainda a diminuição do número de partidos políticos. Segundo ela, nos tempos de Arena e MDB havia posições políticas estabelecidas, algo que não acontece atualmente. “O cenário político na época era bem definido. Havia um partido de direita (Arena) e um partido que abrigava os políticos de várias correntes da esquerda (MDB). O jogo era mais claro do que é hoje, onde não se sabe quem é quem”, destacou.