Cães e gatos de Bauru vão ter coleira e plaqueta com identificação do animal e seu proprietário. A medida será adotada pela prefeitura porque a cidade enfrenta epidemia de leishmaniose (doença que afeta cães e humanos) desde 2003. No primeiro semestre desse ano, 31 casos em humanos foram registrados. Em virtude disso e da grande quantidade de cães e gatos abandonados nas ruas de Bauru, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) decidiu identificar e registrar todos esses animais. Durante esse processo, agentes da DSC tentarão conscientizar a população para a importância de cuidar bem dos animais. Inicialmente, 50 mil coleiras e plaquetas identificativas serão distribuídas, gratuitamente, a partir de agosto.
A ação faz parte do Programa Municipal de Controle Animal, criado pelo Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde. O objetivo é efetuar o censo animal, identificar e registrar cães e gatos e conscientizar a população para a posse responsável dos caninos e felinos.
O projeto será dividido em etapas. A partir do dia 2 de agosto, os agentes de controle de doenças treinados saem às ruas com o objetivo de visitar todos os bairros da cidade e fazer um censo para apontar quantos cães e gatos existem em Bauru. Atualmente, o município trabalha com uma estimativa baseada em dados levantados durante campanhas de vacinação - 50.954 cães e 22.293 gatos. Estima-se que o trabalho seja efetuado em três meses.
Somente após o censo será dado início ao processo de registro e identificação dos animais. Além disso, cada animal terá um cadastro que incluirá dados do dono. Clínicas veterinárias particulares também irão ajudar no processo, funcionando como postos de cadastramento. O valor gasto pela prefeitura na compra das 50 mil plaquetas e coleiras é de R$ 41 mil, mas pode aumentar de acordo com a necessidade verificada pelo órgão.
Segundo o DSC, durante o trabalho de identificação serão passadas orientações aos proprietários dos animais a respeito da importância da posse responsável. Para o DSC, muitos donos são descuidados e deixam fezes e restos de alimentos nos quintais e terrenos. Esse acúmulo da sujeira favorece a proliferação do mosquito palha, transmissor da leishmaniose. Para auxiliar nesse trabalho de conscientização, 100 mil folhetos educativos serão distribuídos.
O DSC afirma, ainda, que o registro trará outros benefícios ao donos dos animais, como facilidade na localização do proprietário, em caso de perda, e o rápido levantamento do histórico de vacinas e condições sanitárias do animal, em caso de mordidas.
A professora Dalva Quintiliano, que possui três cachorros, acredita que a iniciativa é valida no que diz respeito à fácil localização em caso de perda do animal. “Seria bom, porque todos os cachorros teriam que passear de coleira e, com a identificação, fica mais fácil para as pessoas devolverem quando o animal se perde”, afirma.
Já a comerciante Maria Angélica Rosa tem ressalvas quanto à iniciativa do DSC. “A idéia de cadastrar é boa, mas a Dorinha (sua cachorra) não é acostumada com coleira. Além disso, a prefeitura vai gastar dinheiro. E se eu perder minha coleira, eles vão dar outra?”, indaga. Ela indica uma outra forma de realizar o cadastramento. “Acho que isso poderia ser feito através das clínicas veterinárias, que fariam o registro e passariam para a prefeitura. Daí o problema seriam os cães que não têm dono”, ressalta. Segundo Rosa, a ação principal é a conscientização. “Não adianta só cadastrar, também tem que cobrar que os donos cuidem direito dos animais”, afirma.