Córdoba - O presidente venezuelano Hugo Chávez criticou ontem a moção aprovada pela Câmara de Representantes dos EUA que pede que o presidente norte-americano George W. Bush forme uma força-tarefa antiterror para atuar no Ocidente, em especial na Tríplice Fronteira.
“Eu andei lendo sobre um projeto norte-americano para a Tríplice Fronteira... Nós temos de nos opor a essas pretensões”, afirmou o Venezuelano ontem, aproveitando seu discurso durante a Cúpula do Mercosul, na Argentina. A proposta tramita no Senado dos EUA.
Chávez disse que a região do centro-leste do continente, que inclui também a Tríplice Fronteira, que reúne os limites entre Argentina, Paraguai e Brasil, é estratégica não pela questão da segurança, mas pelo rico lençol freático, uma das maiores reservas de água do mundo.
O presidente da Comissão Permanente de Representantes do Mercosul, Chacho Álvarez, também criticou o projeto. “Sabemos que é um projeto do Legislativo, e não do governo americano. Ainda assim ele levanta suspeitas em todos os países da região”, afirmou.
“Somos uma região adulta, já usamos calças largas, temos de demonstrar que temos condições de garantir a paz, a segurança e o desenvolvimento dessa região”.
Para Álvarez, é um erro pôr a região na agenda de segurança, ligada ao terrorismo internacional. “A Tríplice Fronteira precisa estar na agenda de desenvolvimento econômico”. Na diplomacia brasileira, houve mal-estar com a moção e, consultada, a chancelaria argentina não quis fazer comentários sobre a proposta da deputada republicana.
No país vizinho, há uma pressão para que se aumente o controle sobre a Tríplice Fronteira. É que a Justiça afirma que o principal suspeito do maior atentado terrorista ocorrido na Argentina, há 13 anos, é um militante do grupo extremista islâmico Hizbollah, que teria entrado no país exatamente pela região.
Ele teria dirigido um carro-bomba contra o prédio da entidade judaica Amia, causando a morte de 85 pessoas em julho de 1994. O projeto americano também foi rechaçado durante o 2.º Fórum Social da Tríplice Fronteira, que começou ontem em Ciudad de Leste, no Paraguai, com a participação de movimentos sociais de esquerda da região.
Na carta de abertura do Fórum, além da moção, as organizações também criticam o acordo do governo paraguaio e os EUA que permite operações militare americanos em seu território. Avaliaram que é o início de uma tentativa de transformar a Triplíce Fronteira em uma região sob vigilância militar dos EUA.