Bairros

Falta de informação cria confusão na venda e troca de imóveis

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Entre as diversas marcas do Núcleo Fortunato Rocha Lima, duas representam uma sério problema para a Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Estado de São Paulo (CDHU). Quando os baixos índices de educação formal existentes no bairro aliam-se à grande rapidez com que os imóveis do local trocam de dono, a confusão é quase certa.

“Os moradores não sabem que para vender ou trocar um imóvel do conjunto é preciso um contrato de gaveta que aprove a realização do negócio”, afirma Luiz Eduardo Penteado Borgo, assessor da CDHU em Bauru.

Sem documentação, a companhia não pode transferir a residência para o nome do novo proprietário e o lugar passa a constar como ocupado de maneira irregular. Em resumo, a venda não se concretiza e a CDHU não tem como cobrar prestações do imóvel.

Segundo Borgo, uma simples procuração resolveria o problema da falta de contrato. “Só que a maioria das pessoas do bairro não tem conhecimento formal suficiente para buscar esse tipo de saída”, afirma.

Uma solução que está sendo estudada pela CDHU é a realização de uma convênio com a seção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para prestar consultoria jurídica à população do bairro. “Seria um fim de semana em que estudantes de direito iriam até o bairro para dar esclarecimentos sobre questões habitacionais aos moradores”, coloca.

Borgo acredita que o projeto possa ser posto em prática já em agosto, quando as faculdades de direito já tiverem retomado as atividades, após as férias de meio de ano.

“O ideal seria que outras entidades, como prefeitura, igrejas e Poder Judiciário, também pudessem participar, para que o trabalho alcançasse resultados mais abrangentes”, coloca.

Compras e vendas informais são comuns no Fortunato Rocha Lima. Paulo César Lourenço, pintor que vive há dez anos no bairro, já recebeu todo tipo de ofertas para vender sua casa. “Certa vez, um cara me procurou querendo que eu trocasse minha casa por uma Belina”, conta.

Segundo ele, negócios mais exóticos já foram feitos no bairro. “Conheci gente que deu a casa e recebeu de volta uma carroça”, garante.

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