Bairros

Projetos sociais ajudam na luta contra a discriminação

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Algumas tentativas de reverter as duras condições existentes no Fortunato Rocha Lima vêm sendo desenvolvidas desde a época em que o núcleo foi inaugurado e já mostram resultados expressivos.

Iniciativas como Casa da Esperança, Projeto Girassol e Creche Santo Antônio, projetos que são mantidos por parcerias entre secretarias municipais e grupos religiosos, atendem centenas de moradores do bairro, com creches, programas socioeducativos, cursos profissionalizantes, entre outros

Além de ajudarem a superar a miséria do núcleo, os projetos também são meios de se quebrar as barreiras criadas pelo preconceito, como avalia Maria Cristina Piccinim, psicóloga da Casa de Esperança, projeto mantido pela igreja Comunicação e Missão Cristã, e responsável pelo programa de geração de renda da entidade.

“Nosso objetivo é fazer com que os moradores saiam daqui preparados para adquirir seu próprio sustento”, comenta, a respeito dos dez cursos mantidos pela instituição em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi).

Segundo Piccinim, um grande problema das alunas do programa era a falta de auto-estima. “Elas tinham interiorizado a idéia preconceituosa que existe nas demais áreas da cidade, por isso não confiavam em si mesmas”, diz.

A falta de auto-estima impedia que as alunas avançassem no aprendizado. “Conheci mulheres que tinham cinco anos de curso de costura e moda, mas que ainda não eram capazes de cortar um molde de roupa sozinhas, devido à insegurança”, conta.

Para que as alunas pudessem caminhar por conta própria foi preciso um trabalho de preparação. Os resultados do esforço já podem ser sentidos na mudança de atitude mostrada pelas freqüentadoras do curso.

“Muitas delas iam a entrevistas de emprego mal vestidas, cabisbaixas. Agora, fazem questão de se arrumar e falar com segurança”, afirma. Transformação que é notada na atitude de alunas como Andreia Lekevícius. Diferente de muitas pessoas do bairro, ela não esconde seu endereço na hora de fazer compras.

“Quando vou abrir crediário, não tenho vergonha de dizer que sou do Fortunato, pois sempre levo dinheiro para pagar a entrada, daí ninguém pode torcer o nariz para mim”, diz ela, que trabalha como manicure, profissão aprendida no Projeto Girassol.

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