Descobrir tumores, avaliar o estado de um órgão ainda sendo transplantado e até monitorar células-tronco. Tudo por um feixe de luz, sem cortes e sem cirurgia. O Centro de Ótica da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos tem desenvolvido técnica pioneira no País com o laser, que permite conhecer em poucos segundos a qualidade dos tecidos e tornar os diagnósticos mais precisos.
A técnica da fluorescência óptica permite diagnosticar câncer sem retirar um pedaço do órgão, além de avaliar o teor de gordura no fígado. A aplicação é possível pela interação da luz com o tecido. Iluminadas por um feixe de determinada cor, elas devolvem parte da energia absorvida em forma de luz.
“Se aprendermos a ler essas informações contidas na luz, adquirimos forma muito precisa de identificar tumores’’, diz o físico Vanderlei Bagnato, coordenador do grupo formado há cinco anos, em parceria com o HC de Ribeirão. A equipe é a primeira do mundo a usar a técnica para transplante em humanos.
Ela está sendo estudada para detectar o tempo de óbito de cadáveres, descobrir cáries nos dentes e até na agronomia, ao analisar a qualidade do solo e detectar cancro cítrico em pés de laranja ainda na incubação, antes de ser plantado e contaminar toda a cultura.