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‘Violência quebra contrato psíquico de vida em sociedade’

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Uma das principais conseqüências da violência é a desordem mental, que deixa as pessoas tensas, estressadas e amedrontadas, aponta Mário Enzio, psicanalista especializado em valores humanos. Neste cenário fragilizado, diz ele, o medo é substituído pela sensação de quebra dos limites do bem-estar e da vida em sociedade – teoria apresentada no contrato social do filósofo Jean-Jacques Rosseau.

Mário explica que este acordo é implícito e as pessoas já nascem sabendo das “regras” psíquicas. Sua função é dar limites ao indivíduo. “A mãe diz para a criança não subir na cadeira porque pode cair e fala para ela não tomar gelado e prevenir uma gripe. Desde cedo, o indivíduo sabe que a polícia existe para tomar conta da população, o governo para fazer estrada e hospitais”, exemplifica.

Quando este acordo psíquico é quebrado, ressalta Mário, uma das reações mais comuns do indivíduo é demonstrar surpresa e indignação, aponta o especialista. Foi o que aconteceu com a contadora Vanderléia de Fátima Furquim. “As áreas de emprego, saúde e educação estão fragilizadas. E a violência é produto disto”, afirma.

Segundo o psicanalista, o clamor popular é por estabilidade. “A população, em sua maioria, está gritando por segurança. O cidadão quer de volta esta liberdade já conquistada. Ele deseja ter de volta o espaço criado por eles, continuar fazendo compras no shopping, andando de ônibus, freqüentando restaurantes e bares.”

Os aposentados José Fernando da Cruz e José Gomes da Silva cobram segurança e tranqüilidade nas ruas. “Tenho medo de encontrar um bandido. Estou revoltado com esta situação de violência, que não ocorre só aqui mas no mundo inteiro. Deveria ter mais segurança todos”, diz José Fernando.

As amigas Fabiana Fontes, Patrícia Oliveira e Viviane Borges Monteiro concordam com eles. Segundo Fabiana, é injusto modificar a rotina por conta de ações criminosas. Para ir ao trabalho na semana passada, ela trocou o ônibus – alvo dos ataques - pelo mototáxi. “Sinto medo. E não é somente agora. O Brasil inteiro está assim, em todo lugar há violência.”

Para lidar com as dificuldades e emoções negativas, é essencial conhecer as raízes que as motivam, aponta Mário Enzio. De acordo com ele, as pessoas precisam se informar sobre o que está ocorrendo e ter cuidado com informações distorcidas.

Conversar e debater sobre o assunto é outra alternativa que pode ajudar o indivíduo a amenizar a sensação de insegurança. “Toda vez que se debate um tema, a pessoa perde o medo porque está conhecendo limites”, ensina o psicanalista.

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Transparência

Para lidar com as emoções negativas e não sucumbir à violência, é fundamental manter-se sempre informado sobre os fatos, concentrando-se apenas no que está realmente ocorrendo. Esta é a principal metodologia utilizada pela Polícia Militar para comunicar-se com a população sem causar pânico, aponta o tenente Alessandro Rosseto, do Comando de Policiamento do Interior (CPI – 4).

Ele explica que o fundamental é não dar ouvidos à fofocas e boatos. “A técnica da polícia é transmitir apenas informações confirmadas”, diz.

O segundo método desenvolvido pela PM é comunicar a população sobre quais são as providências que estão sendo tomadas e sobre o policiamento nas ruas, além de reforçar que as pessoas podem contar com serviços de atendimentos da PM, como o 190, que funciona 24 horas. Rosseto destaca, ainda, que existem dicas de segurança à disposição no site www.polmil.sp.gov.br

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