O ex-governador e candidato ao governo do Estado pelo PMDB, Orestes Quércia, disse ontem em Bauru que pretende mudar a estrutura da segurança pública em São Paulo. Como já era esperado, depois da onda de violência que tomou conta do Estado, o tema foi bastante explorado durante a visita de Quércia a Bauru ontem, onde participou de carreata e se reuniu com militantes do partido. Participaram do evento o candidato a vice-governador Átila Russomano e a candidata ao Senado Alda Marco Antonio.
Segundo Quércia, o governo atual perdeu autoridade, por isso o Estado vive sérios problemas para conter a onda de violência. Para o ex-governador, falta pulso firme aos atuais governantes, que teriam cedido às pressões do crime organizado. “Vamos restaurar a autoridade do governo, com controle das prisões, sem negociar com o crime organizado, com pulso firme”, frisou.
O primeiro passo para impor a política de segurança de eventual governo do PMDB será encerrar as atividades da Secretaria de Administração Penitenciária e mudar a forma de indicar diretores de presídios no Estado. “Essa secretaria cria problemas de duplo comando com a Secretaria de Segurança, então vamos subordinar a administração penitenciária à Secretaria de Segurança, nomeando diretores de carreira, porque os diretores de presídios são cargos políticos, o que é errado”, criticou.
O peemedebista também pregou mudanças na educação, diminuindo para 30 o número de alunos por sala de aula. Quércia também admitiu rever o sistema de progressão continuada em vigor nas escolas estaduais. “Temos muitas reclamações contra esse sistema, apesar de ter limitado a evasão escolar. Vamos aplicar provas a cada dois meses para acompanhar o desempenho dos estudantes”, destacou. Para Quércia, a situação da educação em São Paulo é “periclitante”, com muitos problemas, motivo pelo qual o nível de ensino nas escolas decaiu nos últimos anos.
Afirmando que não vai apoiar nenhum candidato a presidente, pelo menos no primeiro turno das eleições, Quércia aproveitou para alfinetar o PT e o PSDB, seus adversários na disputa ao governo do Estado. O ex-governador afirmou que os partidos são semelhantes em suas propostas, principalmente na área econômica. “O País precisa crescer, ter salários dignos, porque é isso que nós vamos fazer em São Paulo. A reclamação que eu tenho das políticas do PSDB e do PT é a paralisação do País, a mesma política dos tucanos foi usada pelos petistas”, frisou.
Confiança
Apesar de figurar em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, Quércia afirmou estar confiante que vai para o segundo turno. O peemedebista tem 11% das intenções de voto, atrás de Aloizio Mercadante (PT), com 15%, e José Serra (PSDB), que tem 48%, conforme a última pesquisa do Instituto Datafolha. “Eu sei que vou para o segundo turno, não sei se com o Mercadante ou com o Serra”, disse.
O ex-governador destacou que, apesar do PMDB estar longe dos holofotes do poder no Estado, desde que elegeu Luiz Antônio Fleury Filho (hoje no PTB), para governar São Paulo, as eleições deste ano podem representar a virada do partido. Para ele, a polarização entre PT e PSDB favorece sua candidatura. “Eles têm propostas semelhantes, e nós temos propostas para fazer mais por São Paulo, por isso vamos ganhar as eleições”, ressaltou.
____________________
Governo Municipalista
O candidato do PMDB ao governo do Estado, Orestes Quércia, afirmou que pretende valorizar os municípios, caso seja eleito para governar São Paulo pela segunda vez. Quércia já esteve no Palácio dos Bandeirantes entre 1987 e 1990.
Segundo ele, para implantar as políticas de desenvolvimento no Estado, é preciso estabelecer parcerias com os prefeitos, sobretudo nas áreas de emprego, educação e saúde. “Vamos agir no sentido de resolver os problemas sérios dos municípios, recebendo os prefeitos no Palácio, como fazia quando governei São Paulo”, ressaltou.
Para o ex-governador, os municípios foram abandonados pelo governo estadual, por isso a situação financeira das cidades “vai de mal a pior”. “Os prefeitos reclamam muito que não são recebidos pelo governador, então nós precisamos mudar isso”, salientou.