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Unesp prepara robôs para lavoura

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Um robô social, adaptado para o serviço coletivo, para o “trabalho de formiguinha”. Cada um fazendo a sua parte para resolver um problema que seria impossível se fosse enfrentado individualmente. Esse projeto de dividir as tarefas entre pequenos robôs vem sendo desenvolvido por professores e alunos da Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru há dois anos.

Os idealizadores da pesquisa basearam-se na própria natureza como fonte de inspiração. “Uma formiga não é inteligente, mas a sociedade (formigueiro) acaba sendo inteligente. Porque com pequenas ações você configura uma ação coordenada que dá resultado positivo. A somatória dos esforços resulta em um desempenho muito melhor do que se cada um agisse individualmente”, compara o professor José Eduardo Castanho, um dos envolvidos no projeto.

Além dele, fazem parte da empreitada tecnológica os professores Marcelo Nicoletti Franchin e Mário Eduardo Bordon. Todos do Departamento de Engenharia Elétrica. Basicamente, eles atuam na retaguarda, orientando os alunos no desenvolvimento do projeto.

Uma das aplicações práticas imaginada para o trabalho coletivo de robôs seria na agricultura. De acordo com o cenário imaginado pelo professor Castanho, uma equipe de pequenos robôs seria colocada em meio a uma plantação com o objetivo de acabar com o mato, sem a necessidade de usar herbicida.

Esses pequenos seres eletrônicos seriam equipados com sensores capazes de distinguir e, em seguida, eliminar as plantas daninhas, que prejudicam a plantação. “Teríamos uma agricultura mais saudável, mais econômica, com maior rendimento. Esse é um foco que a gente pensa que, de repente, poderia contribuir”, imagina Castanho.

Mas ainda está longe o dia em que uma plantação de soja, por exemplo, será invadida por um exército de robozinhos, ávidos por encontrar um matinho pela frente. “Acredito que dificilmente teremos um robô-formiga nos próximos dez anos”, prevê o professor. Até que isso seja colocado em prática, um longo caminho ainda precisa ser percorrido.

Além de dotar o robô para o trabalho cooperativo, outras limitações precisam ser superadas. Por exemplo: como energizar esse robô de maneira adequada. Será preciso botar um poste no meio da plantação? Será que o robô consegue andar no barro? Será que ele consegue subir por um terreno íngreme?

“Tem um monte de coisa que inicialmente a gente não imagina. Os problemas vão aparecendo conforme nós vamos avançando”, comenta Castanho. A aplicação do projeto na agricultura é apenas uma possibilidade. Os benefícios, casos eles sejam colocados na prática, podem ser estendidos para outras áreas.

Segundo o professor, o tema robôs cooperativos envolve uma suposição de que às vezes um problema complexo pode ser dividido em tarefas pequenas, que podem ser gerenciadas de maneira mais fácil.

“(Pôr o projeto para funcionar) é um alvo um pouco distante, até porque é uma tecnologia ainda pouco explorada. Talvez daqui dez anos tenhamos resultados mais concretos. Mas é assim que funciona, nós não focalizamos para hoje nem amanhã, mas bem lá na frente.”

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Base pronta

Um outro projeto extraclasse, que obteve grande repercussão, tem servido de base para os novos experimentos dos alunos da Faculdade de Engenharia Elétrica de Bauru. Eles estão utilizando o futebol de robôs para aprimorar o trabalho coletivo, que é o objetivo da robótica móvel e cooperativa imaginada no projeto.

Para que os jogadores executem suas tarefas de maneira adequada é preciso fazer com que eles interajam entre si, que consigam localizar o outro e também a bola. É preciso definir a estratégia de jogo que será adotada, quem vai atacar e quem vai defender.

“Tem muitos estudos sendo desenvolvidos para resolver problemas que parecem brincadeiras, mas na verdade tem na sua base equações relativamente complexas”, diz o professor José Eduardo Castanho, um dos idealizadores do projeto de robôs cooperativos. “(O trabalho) é motivador, faz com que os alunos, por brincadeira, estudem problemas sérios.”

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