Antes de tudo também torci, também acreditei por instantes e também me decepcionei como todos os demais brasileiros que acompanharam os jogos da nossa seleção na Copa da Alemanha. Mas ao longo de tantas Copas e jogos de nossa seleção canarinho jamais vi algo parecido com essa pouca vergonha da última derrota para a França no dia 01.07.06, pelas quartas de final da Copa da Alemanha.
Muitos erros foram cometidos ao longo de toda preparação, mas eles foram encobertos pela soberba, pela arrogância, pela simples hipótese que venceríamos a qualquer momento qualquer adversário em qualquer torneio no planeta. E a vitória na Copa das Confederações contra a Argentina em 2005 mais a obtenção do primeiro lugar nas eliminatórias trouxe o combustível que faltava para a nossa seleção e sua caquética comissão técnica – “A Presunção”.
Movidos por esse combustível, nossos jogadores mais famosos foram convocados pelo nome, com raras exceções, pela amizade e até uma certa tradição e nunca pelo critério técnico, ou seja, quem estava melhor técnica e fisicamente deveria ser convocado. Ex. Cafu, um lateral ultrapassado, presunçoso, em busca de recordes pessoais, deveria assistir a Cicinho jogar.
O segundo problema foi que o nosso técnico é ultrapassado em suas idéias sobre o futebol, um homem que já esteve à frente do seu tempo mas que hoje representa interesses das empresas patrocinadoras da CBF e não do futebol brasileiro. Não treinou o time como deveria, não preparou esquemas alternativos para o decorrer da competição (3-5-2, 4-3-3, etc.), e acima de tudo não substituiu aqueles que não estavam jogando nada e que não deveriam sequer estar no banco de reservas de uma seleção brasileira.
Alguns jogadores milionários/mercenários do elenco nacional não jogaram nada em momento algum dessa Copa, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Adriano, Kaká, Cafu, Roberto Carlos foram uma pálida presença em campo se compararmos suas atuações por seus milionários clubes europeus. Pouco escrevo sobre futebol mas fiquei indignado com o que vi naquele jogo.
Num país repleto de maracutaias, onde Deputados armam esquemas para burlar a lei e roubam milhões do erário em troca da distribuição falsa de ambulâncias, num país onde a justiça deixa soltos os bandidos ricos e prende apenas os pobres, num país onde tudo é mais difícil para o trabalhador honesto o que vimos na seleção foi apenas mais um ato de incompetência, má administração e total falta de respeito ao povo brasileiro.
O resultado e a conseqüente eliminação do time brasileiro não vão abalar as estruturas de um povo que não tem recebido investimentos em educação, jamais privou de um sistema de saúde decente e que tem consciência de que muito pior que a nossa fraca seleção é o atendimento ao INSS que ilude pessoas humildes, atrapalha a vida de quem realmente precisa e deixa os verdadeiros necessitados a mingua.
Futebol é importante, mas vamos deixar para nos preocuparmos com ele somente daqui a quatro anos, na Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. Até lá vamos jogar um jogo diferente, vamos eliminar políticos corruptos da vida pública, vamos dificultar a vida daqueles políticos profissionais que se elegem para serem prefeitos e meses depois já estão pedindo votos para governador, vamos banir os envolvidos com mensalão, os envolvidos com o escândalo das ambulâncias e todos que ajudaram a absolver os culpados.
Nossa Copa do Mundo de verdade será em outubro, quando das eleições gerais para quase todos os cargos eletivos do país, é nessa hora que temos de dar o troco e, com muita garra e sentimento patriótico, entrarmos na sala da urna para arrasarmos os ladrões, sanguessugas e vendilhões que assolam nossa vida e de nossa gente pobre. Essa é a única hora de sua vida em que quem escala o time é você.
Rafael Moia Filho