A campanha eleitoral para deputado custa caro, e não importa se o candidato almeja uma vaga na Assembléia Legislativa ou na Câmara dos Deputados, os valores são altos. Para o espécialista em marketing político Marco Iten, a eleição encarece ainda mais quando há candidatos que utilizam a campanha eleitoral para deputado, visando se manter na mídia para, posteriormente, disputar o pleito municipal.
Segundo Iten, os “candidatos fictícios” atrapalham aqueles que realmente querem disputar a eleição porque além de tirar votos que podem fazer a diferença, os fictícios ainda obrigam os “candidatos reais” a se deslocar para outras áreas em busca dos votos perdidos, o que demanda tempo e, principalmente, dinheiro. “O candidato fictício inflaciona a eleição, porque na ânsia de se manter em destaque e ter projeção para as eleições municipais, ele tira do candidato sério alguns votos preciosos e obriga esse candidato a investir mais, para compensar essa perda”, disse.
Iten avalia que a situação de Bauru se enquadra bem neste caso. Para ele, mesmo com um colégio eleitoral composto por mais de 225 mil eleitores, o número de candidatos (10 a deputado estadual e 11 a federal) pode encarecer a campanha, porque nem todos os que se apresentam como candidatos teriam chances reais de vencer o pleito. “Se um candidato consegue 300 votos na eleição para vereador e depois se candidata a deputado, a chance de se eleger é mínima. Aí, ele tira uma parte dos votos do candidato que está realmente disputando para vencer e não para aparecer”, comentou.
Mas quanto custa uma campanha? De acordo com Marco Iten, uma eleição para deputado federal não sai por menos de R$ 3 milhões. Segundo ele, o valor é alto, mas dificilmente alguém se elege para a Câmara dos Deputados se não tiver uma estrutura bem montada em várias cidades, e isso custa dinheiro.
Tendo como base as restrições impostas pela Justiça Eleitoral, que permite apenas propaganda através de panfletos e carros de som, o especialista em marketing traça um cenário de como ficaria a estrutura de campanha em uma cidade pequena, com 5 mil eleitores. “Vamos supor que você queira fazer um trabalho de panfletagem. Você contrata dez pessoas e aluga uma kombi para transportar essas pessoas. Pagando R$ 30,00 por dia para cada uma, mais alimentação, água, gasolina, o candidato não gasta menos de R$ 400,00 por dia de campanha. Multiplica isso por dois meses. E estou falando apenas em uma cidade pequena”, frisou.
Para candidatos a deputado estadual, Marco Iten destaca que o cenário não se altera muito. “Há quatro ou cinco eleições o deputado federal bancava o estadual com quem dobrava, mas atualmente isso é quase impossível. No máximo eles dividem a despesa”, salientou.
De acordo com ele, a situação pode até ser pior que a dos candidatos a federal, já que o número de candidatos a estadual é bem maior, ou seja, a concorrência aumenta e força os postulantes a uma vaga na Assembléia Legislativa a se desdobrarem para garantir votos e, conseqüentemente, gastar mais. “O estadual teria que gastar muito mais que o federal, mas isso não acontece porque ele consegue dobrar com mais de um candidato a federal, amenizando os gastos com material”, ressaltou.